MULHERES
16/11/2015 13:02 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Esta carta revela o medo que o assédio nas ruas provoca nas mulheres

iStock

Os assobios e comentários fizeram esta mulher questionar seu próprio valor como pessoa.

Esta mulher resolveu detalhar como deixou o medo tomar conta ao ser assediada nas ruas.

Em carta ao jornal The Irish Times que repercutiu entre muitas leitoras nas redes sociais, Jenny Stanley descreveu como era voltar para casa numa noite de sábado em outubro em Dublin, por volta de 22h45. Ela escreveu sobre os assobios que recebeu no ponto de ônibus.

Começou com um homem do grupo me olhando diretamente nos olhos, apontando para mim, voltando-se aos outros e anunciando “estou afim dessa”. “Essa", outro homem respondeu, concordando e sugerindo o que gostaria de fazer comigo se me levasse para casa.

Ainda outro acrescentou mais detalhes àquele roteiro imaginado, no qual eu era um objeto com a finalidade única de satisfazer os desejos sexuais deles. Os detalhes me encheram de raiva profunda e, para ser franca, de questionamentos quanto ao meu próprio valor como pessoa.

Jenny escreveu que resolveu então ir a outro ponto de ônibus, “desviando-se das pessoas e ignorando-as” enquanto andava.

Ela observou muitas mulheres fazendo a mesma coisa e, internamente, questionou por que elas não reagiam.

Pensei: “Por que não respondemos? Por que não dizemos a eles que não merecemos ser tratadas como objetos? Por que não explicamos por que reagimos aos supostos elogios deles com um olhar de repúdio, em vez da gratidão que eles tão evidentemente acham que merecem?”

Na carta, Jenny escreveu que percebeu que a resposta às suas perguntas era: “Medo profundo e sentimento de estar intimidada”. Ela contou que desceu do ônibus mais tarde naquela noite e viu homens fazendo gestos inapropriados em sua direção novamente. Quando finalmente chegou em casa, ela chorou.

Percebi então que o assédio não tinha terminado só porque eu tinha chegado em casa. Estou exausta, não apenas por mim mesma, mas por todas as que já passaram e vão passar por coisas semelhantes. E pelos inúmeros homens que valorizam e respeitam as mulheres, e por qualquer pessoa que acredita que o gênero da pessoa não deve influir sobre seu direito de ser vista como igual aos olhos de outra.

Lembre-se: um "fiu fiu" não é um elogio.

Leia a íntegra da carta no The Irish Times.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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