LGBT
13/11/2015 11:48 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:31 -02

Conto de fadas narra história de princesa que se apaixona por costureira

Era uma vez uma linda princesa que deveria se casar com o príncipe do reino vizinho. Nos preparativos da cerimônia, porém, a princesa sentiu que aquilo não era para ela e se apaixonou por uma costureira. Com ajuda da irmã, do príncipe e da Fada Madrinha, a princesa lutou contra a tradição dos reinos para conquistar o direito ao amor. E viveram felizes para sempre.

Esse é o enredo de A princesa e a costureira, primeiro conto de fadas sobre o amor entre duas mulheres do mercado editorial brasileiro. Escrita por Janaína Leslão em 2009, a história, que é orientada para pré-adolescentes, foi recusada por quase 20 editoras.

princesa e a costureira

Só em 2014, quando a escritora e psicóloga já estava quase desistindo do projeto, A princesa e a costureira foi aceito pela editora Metanóia.

O acordo, porém, determinava que Janaína providenciasse as ilustrações do livro. Então, a escritora começou um financiamento coletivo na internet para juntar dinheiro a fim de contratar uma ilustradora.

Em menos de uma semana, a meta foi atingida e, no fim do prazo de arrecadação, Janaína havia conseguido mais de R$ 11 mil em doações. Isso permitiu que ela financiasse as ilustrações de seu primeiro livro e de mais um título que está por vir.

O livro, que sai da gráfica no dia 20, já está em pré-venda e será lançado no dia 26 de novembro.

A ideia, conta Janaína, partiu de sua experiência como psicóloga.

"Temos uma determinada referência do que é um relacionamento bem-sucedido. Mas quando havia a necessidade de conversar com pré-adolescentes sobre relacionamentos de pessoas do mesmo sexo, era um grande desafio. Não havia um referencial, um imaginário anterior, e representatividade importa. Então a ideia era essa: fazer um conto de fadas em que as pessoas pudessem se reconhecer, entender que tem espaço para todos", disse Janaína em entrevista ao HuffPost Brasil.

A repercussão de A princesa e a costureira tem sido enorme. Em três dias, o post sobre a pré-venda da obra no Facebook já teve 1,7 milhão de visualizações. Janaína diz estar recebendo muitas mensagens de apoio mas, por outro lado, também se tornou alvo de haters.

"Tem tanto coisas risíveis quando ameaças, e isso é muito ruim. Mas significa que estamos incomodando os reacionários, e isso é importante. E tenho recebido muito apoio de pessoas dizendo que estão comigo, que isso faria muita diferença se elas pudessem ter lido o livro quando eram jovens. Isso dilui todo o veneno", conta.

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