MULHERES
12/11/2015 20:43 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:25 -02

Mulheres protestam em SP contra 'PL do Aborto', de Eduardo Cunha, que dificulta aborto em caso de estupro

Mulheres que são contra o Projeto de Lei 5.069, que dificulta o acesso ao aborto legal às vítimas de estupro, estão realizando o segundo ato contra a proposta de autoria do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) nesta quinta-feira, 12. O ato começou no vão do Masp por volta das 17h e o grupo se deslocou para a Avenida Paulista. Por volta das 18h30horas, a Avenida Paulista foi fechada no sentido Consolação.


Com rostos pintados e carregando faixas, algumas manifestantes distribuíram panfletos com as músicas e gritos que seriam entoados durante a manifestação. A intenção, desta vez, não era ir até a Catedral da Sé, mas sim, descer a Rua da Consolação, passar pelo Teatro Municipal e terminar na Largo do Paissandu.

Antes mesmo de a movimentação começar, o grupo de quase 1.500 mulheres inicialmente entoavam gritos de "Fora Cunha", "Ô, Cunha, seu machista, meu corpo não é sua conta na Suiça!", "Cadê o homem que engravidou? Porque a culpa é da mulher que abortou?".

As manifestantes gritam contra o machismo, a violência contra a mulher e pedem que Cunha seja afastado do cargo. De acordo com a Polícia Militar, cerca de 350 pessoas participam do ato. Já a organização oficial do movimento fala em 5 mil manifestantes.


"As mulheres querem gritar. Querem gritar pela liberdade que é tolida em razão da cultura machista que a gente tem. Eu, com uma filha pequena, é minha obrigação estar aqui e fazer o possível para que ela, e outras mulheres, consigam viver suas liberdades de uma forma plena. Quero que ela saiba que ela pode ser princesa e ela possa ser cientista", disse ao HuffPost, emocionada, a advogada Juliana Vieira dos Santos, de 38 anos, que levou a filha Nina, de 1 ano na manifestação.

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Integrante do coletivo Frente contra o Assédio -- um dos 40 que organiza as manifestações -- , a estudante Luize dos Santos Tavares, de 19 anos, disse ao HuffPost Brasil que o principal objetivo do ato de hoje é, mais uma vez, lutar para que o projeto de lei que visa restringir o atendimento ás mulheres vítimas de violência sexual não chegue a plenário.

"A PL vai contra umdireito básico que a mulher que já tem, e que nem sempre é garantia que se cumpra. Isso é um retrocesso. Hoje a gente quer mostrar o protagonismo das mulheres para as mulheres. Nós temos força".

Alguns manifestantes ainda escreveram cartazes em homenagem às vítimas do rompimento da barragem na cidade de Mariana, em Minas Gerais, e alguns entoavam gritos de guerra em apoio aos estudantes que estão ocupando a Escola Estadual Fernão Dias Paes, em São Paulo, em resposta a "reorganização" escolar promovida pelo governo Alckmin.

Por volta das 20h, a manifestação se dividiu. Segundo a PM, cerca de 200 mulheres foram demonstrar apoio ao movimento dos alunos que ocupam a escola E.E Fernão Dias, em Pinheiros, desde a manhã de terça-feira (10) em protesto contra a reorganização da rede de estadual proposta pelo governo Alckmin (PSDB-SP).

Manifestações contra a PL também aconteceram no Rio de Janeiro. Segundo a Folha de S. Paulo, o protesto recebeu cerca de 4 mil pessoas. A polícia não realizou uma estimativa.

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