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Estudantes são atacados pela PM com spray de pimenta em protesto contra fechamento de escolas em SP

11/11/2015 17:31 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Estadão Conteúdo

Os alunos da Escola Estadual Fernão Dias Paes, em São Paulo, foram reprimidos pela polícia na tarde desta quarta-feira (11). Duas meninas, parte do grupo de estudantes que protesta em frente à escola, foram atacadas com spray de pimenta.

Os manifestantes estão na escola desde terça-feira (10) às 6 h. Alguns estudantes ocuparam o local em protesto por todas as outras 94 instituições estaduais que serão fechadas em decorrência da reorganização escolar promovida pelo governo Alckmin.

Do lado de fora, cerca de outras 400 pessoas ainda protestam, segundo o Estadão. O movimento foi reforçado com a adesão dos grupos Movimento Passe Livre (MPL) e Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) na terça à noite.

Em quase 48 horas de ocupação, os estudantes já sofreram outras represálias. Na tarde de terça, um ônibus foi acionado para levar os manifestantes para a delegacia alegando "dano ao patrimônio público e invasão", mas sem sucesso.

"Eles estão ocupando o espaço público como uma forma legítima de manifestação", disse a defensora pública Mariana Delchiaro ao UOL.

Os estudantes resistiram aos gritos de "sou estudante, não sou ladrão. Não vim para a escola para sair de camburão".


O coletivo Jornalistas Livres publicou vídeo em que os próprios estudantes que ocuparam a escola se encarregam de limpar o local e preparar lanches para os demais manifestantes.

Mais tarde, já com a Polícia Militar instalada aos arredores impedindo que mais alimentos fossem repassados para dentro da instituição, a água do local foi cortada, mas voltou pouco tempo depois.

A escola é nossa, e a gente cuida.

ESCOLAS EM LUTAEstudantes em ocupação da Escola Estadual Fernão Dias Paes cuidam da sua escola. Eles mesmos organizaram a preparação das refeições, a limpeza e a conservação do local, ao contrário do que diz a mídia tradicional, que se apressa em tachá-los como vândalos.Jornalistas Livres em defesa da educação.#NaoFecheMinhaEscola #SeFecharAGenteOcupaVídeo: Lina Marinelli, para os Jornalistas Livres.

Posted by Jornalistas Livres on Terça, 10 de novembro de 2015


Nas redes sociais o movimento #NãoFecheMinhaEscola mostra apoio à luta dos estudantes e ganha cada vez mais força.

A Escola Estadual Fernão Dias não está entre as 94 que irão fechar, mas, para obedecer aos novos padrões, terá apenas um ciclo de ensino. De acordo com o UOL, os alunos temem que, com a reorganização, a escola fique superlotada.

O outro lado

A diretora de ensino da região centro-oeste, Rosângela Valim, afirma que o protesto não foi organizado apenas pelos alunos. “Foi uma ação orquestrada há dez dias, estudantes não trabalham nessa ordem”, argumenta.

Para a diretora, existe um grupo de pessoas radicais, inclusive dentro da escola, que se aproveita da situação, "passando informações equivocadas aos alunos".

“Não sei de onde eles tiraram que a escola ficará superlotada. O Fernão Dias comporta 2.700 alunos, atualmente temos 1.694. Como iriam transferir mais de 900 estudantes?”

Sobre a reorganização de escolas, a diretora diz que é um movimento legítimo. “Todo governante tem obrigação de trabalhar para que um espaço seja melhor ocupado. Quem não fizer isso, não é um bom gestor.”

Ao HuffPost Brasil, Valim afirmou que esteve na escola e contou que os policiais estão sendo provocados por manifestantes que estão dentro e fora da escola. “Um policial foi agredido, eles estão sendo insultados, os supervisores estão sendo insultados. Usaram palavras de ódio até contra mim”.

Para ela, não há excesso por parte da Polícia Militar, que “tem sido precisa nas suas atitudes”.

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