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11/11/2015 18:43 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:24 -02

Desastre em Mariana: ‘Foi o 7 a 1 da mineração. Minas levou uma surra, como o Brasil no futebol'

LINCON ZARBIETTI/O TEMPO/ESTADÃO CONTEÚDO

O mar de lama, que deixou pelo menos seis mortos, 21 desaparecidos e mais de 630 desabrigados, resultado do rompimento de duas barragens de rejeitos da mineradora Samarco, controlada pela Vale e pela BHP, na região de Mariana (MG), no último dia 5, já é considerado o maior desastre da mineração no País.

Classficada pelo secretário de Meio Ambiente de Uberaba, o engenheiro Ricardo Lima, o "7 a 1 da mineração”, a maior “surra” que Minas poderia ter levado na sua “expertise em construir barragens”, a tragédia ainda tem potencial para se ampliar.

"Estamos perdidos. Minas está perdida, não de não sabe para onde vai. Sabe. Mas é como o Brasil no 7 a 1. Comparar com o futebol, a nível do esporte brasileiro, aquela surra foi o maior desastre que poderia ter acontecido. Minas tomou uma surra naquilo que ela é especialista. O Brasil especialista em futebol, Minas é especialista em mineração. Nós tomamos uma pancada, que segue em curso e já chegou em outras cidades."

A área de Bento Rodrigues, mais atingida pela lama na área próxima à Mariana, também está condenada. O acesso ao distrito foi bloqueado e a zona de segurança próxima a barragem Germano foi aumentada de três para dez quilômetros.

Mais uma leva de moradores foi surpreendida pela notícia ruim. De acordo com o Estado de Minas, o responsável por informar a população foi o tenente Sebastião Nogueira, do Batalhão de Choque da 3ª Companhia de Missões Especiais de Lagoa Santa.

"Infelizmente tenho uma notícia ruim para dar para vocês. Com o rompimento da Barragem de Fundão, a Barragem de Germano trincou a parede de sustentação. A empresa está fazendo um reparo. Portanto, não vai haver mais descida de pessoas a Bento Rodrigues. Neste momento temos que preservar a vida humana. Se permitirmos que pessoas desçam lá, talvez não voltam mais.”

Segundo Ricardo Lima, não tem outro jeito: “quem está próximo da barragem morre”.

"Fizemos os planos de ação emergencial para tirar as crianças da escola. Mas quem está ali na barragem, não tem jeito, morre mesmo. Nenhum plano se emergência salva quem está ali no corpo da barragem.”

Com esse prognóstico, mais famílias abandonam seus lares. De acordo com o tenente Nogueira, no caso de Bento Rodrigues, a cidade está condenada por, pelo menos, 30 dias.

Os danos passam por outras cidades como Governador Valadares (MG) e Baixo Guandu, Colatina e Linhares, no Espírito Santo, que estão com o abastecimento de água comprometido.

Embora a BHP Billiton tenha afirmado que custeará todos os danos. Lima alerta para a “tristeza” de pagar danos.

"Pagar dano é assim que vamos tratar? Pagar os danos é triste demais, além de trágico. Nem trilhão paga as vidas, o desastre ambiental e a recuperação. Vai ter uma síndrome socioeconômica. Os extrativistas, além de extrativistas somos a sociedade do desperdício, 40% do que a gente produz é jogado fora. Ou a gente muda nossa visão extrativista do desperdiço ou podemos fechar as portas."

Para ele, a mineração na região acabou. "Como você vai mexer com o inconsciente da mineração mineira com relação a essa barragem, você vai fazer outra? Ninguém vai concordar.”

Lima acrescenta que as mais de 700 barragens daquela região do quadrilátero ferreiro estão em alerta. "Se a gente de Minas errou, o sistema está todo errado. Está tudo errado. Vamos buscar tecnicamente por conta da nossa expertise em mineração e investigar, investigar para ver o que foi.”

Uma das primeiras mudanças deve vir com a readequação do processo de distribuição do licenciamento. Executivos de mineradoras da região tem participado de reuniões constantes desde quinta-feira passada para discutir o cenário. A preocupação é principalmente com as novas exigências de segurança e com a economia no setor, “que já está ruim”.

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