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Contra o governo, protesto dos caminhoneiros ganha adesão em pelo menos 10 estados

09/11/2015 19:51 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
NELSON ANTOINE/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO

O protesto organizado pelo Comando Nacional os Transportes já atinge rodovias de pelo menos 10 estados do País. Segundo boletim da Polícia Rodoviária Federal, os caminhoneiros fizeram paralisações nas estradas da Bahia, com 4 pontos de protesto, Espírito Santo (1), Goiás (5), Minas Gerais (4), Mato Grosso do Sul (2), Pernambuco (1), Paraná (8), Rio Grande do Sul (16), Santa Catarina (5) e Tocantins (1).

Até as 17 horas havia 47 manifestações de caminhoneiros, sendo cinco delas com interdição total da via e 22 bloqueios parciais. Ainda segundo a PRF, nos locais onde os bloqueios são parciais apenas os caminhões estão sendo retidos - ônibus, veículos de passeio e ambulâncias tinham trânsito livre.

Movimento crescente

Os protestos realizados por caminhoneiros autônomos ganharam novos adeptos ao longo desta segunda-feira, primeiro dia de mobilização. No Rio Grande do Sul, o número de pontos de concentração aumentou durante a tarde para 16 - sendo 13 em rodovias federais e três em estaduais.

De acordo com a PRF e o Comando Rodoviário da Brigada Militar, os grupos que optaram por parar as atividades estão se reunindo em postos de combustíveis ou acostamentos. Veículos de passeio, motos, ambulâncias e ônibus têm a passagem liberada. Os manifestantes abordam pacificamente outros motoristas de caminhão para tentar convencê-los a parar. Aqueles caminhoneiros que levam cargas perecíveis e suprimentos para hospitais são liberados a seguir viagem.

Dentre os pontos onde ocorrem os protestos no Rio Grande do Sul estão a BR-116 (um trecho na altura de Vacaria e outro na região de Pelotas), BR-472 (Santa Rosa), BR-386 (Soledade) e RS-122 (Farroupilha)

Procurada pela reportagem, a assessoria de imprensa do porto de Rio Grande informou que, por enquanto, não houve impacto nas operações nos terminais.

Como o porto fica no extremo sul do Estado, e os protestos se concentram principalmente no centro e no norte, a tendência é de que os efeitos comecem a aparecer a partir desta terça-feira.

Os protestos são organizados pelo grupo intitulado Comando Nacional do Transporte (CNT), que defende melhorias nas condições das estradas, o estabelecimento de valores mínimos para o frete e a redução do preço do diesel, além de exigir a saída da presidente Dilma Rousseff do governo.

A paralisação não é reconhecida pelas principais entidades que representam a categoria dos caminhoneiros no País.

Liminares

Na tarde desta segunda, a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou, em nota, que as liminares obtidas contra os bloqueios da greve dos caminhoneiros ocorrida em fevereiro deste ano continuam valendo.

Segundo o comunicado, a liminar que concede às agroindústrias associadas trânsito livre pelas rodovias federais foi ajuizada na 1º Vara Federal de Joaçaba (SC) e ainda está ativa. "Novas ações estão sendo ajuizadas pela associação com o mesmo objetivo, para estradas que não estão contempladas pela primeira liminar", informou a ABPA.

"Com isto, os caminhões que estejam a serviço de empresas associadas à ABPA deverão ter trânsito assegurado pelas rodovias federais. A decisão vale não apenas para caminhões carregados, como também para veículos que estejam buscando carga.”

A ABPA reúne 139 associados entre agroindústrias produtoras e processadoras de carne de aves, suínos e ovos para consumo, casas genéticas, produtoras de pintos e ovos férteis, insumos biológicos e farmacêuticos, rações, certificadoras, além de entidades estaduais e setoriais dos vários elos produtivos. Juntas, as cadeiras produtivas representam mais de R$ 80 bilhões de Produto Interno Bruto (PIB) e US$ 10 bilhões em exportações, diz a entidade no comunicado.

Governo

Mais cedo o ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Edinho Silva, disse que o governo respeita as manifestações e está aberto ao diálogo, mas não recebeu uma pauta para negociação.

“No nosso entender, essa é uma greve que atinge pontualmente algumas regiões do país e, infelizmente, um movimento que tem se caracterizado com uma aspiração única de desgaste político do governo. Se tivermos uma pauta de reivindicação, como tivemos em outros momentos, o governo sempre estará aberto ao diálogo. Agora, uma greve que se caracteriza com o único objetivo de gerar desgaste ao governo, ela vai de encontro aos interesses da sociedade brasileira.”

O governo considera que em abril, na última paralisação, atendeu grande parte das reivindicações da categoria.

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