MULHERES

Esta menina de 17 anos criou um aplicativo para denunciar o assédio sexual nas ruas

06/11/2015 18:16 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Reprodução/Facebook

Catharina Doria, na época com 16 anos, estava tendo um dia daqueles quando um homem a chamou de gostosa na rua. O primeiro pensamento? Responder. Quem nunca pensou em retrucar o um assediador na rua, mas, por medo, achou melhor ficar calada? Catharina foi para casa. Naquela noite, porém, não dormiu conformada e acabou tendo uma ideia que, agora, está ganhando a internet.

Em menos de dois dias, o aplicativo Sai Pra Lá, que foi criado com o intuito de mapear casos de assédios nas ruas, já alcançou mais de 12 mil fãs em sua página no Facebook e 2126 registros. A estudante, que acaba de completar 17 anos, abriu mão de sua viagem de formatura a fim de financiar o projeto. Como não possuía conhecimentos de design e programação, convidou dois amigos para o projeto.

É impossível não lembrar da campanha Chega de Fiu Fiu e seu mapa colaborativo. Ainda que a estudante não conhecesse a ideia, ela acabou fazendo uma espécie de continuação do projeto de Juliana Faria. A grande sacada foi transformá-lo em uma ferramenta de fácil e rápido acesso. Você sofre o assédio, abre o aplicativo e, com alguns poucos cliques, consegue denunciar e conhecer pontos onde outros casos estão acontecendo.

"No primeiro momento, queremos chocar. Todas sofrem assédio na rua, mas a maioria tem medo de denunciar. Com o aplicativo, queremos fazer barulho, mostrar a todos que isso acontece", diz Catharina. Além de criar uma grande rede de denúncias, ela já pensa nos próximos passos. "Observamos que os locais com mais denúncias são escolas e hospitais. Então, por que não colar cartazes nesses espaços, fazer palestras, mostrar para os assediadoras que eles estão sendo observados?", continuou.

O timing não poderia ser melhor: a campanha no Twitter #primeiroassedio e a redação do Enem sobre violência contra a mulher deixaram a internet em polvorosa, o que deu ainda mais amplitude para o aplicativo. Catharina conta que muitas pessoas próximas já estavam sabendo antes mesmo dela apresentá-lo formalmente e que os comentários negativos, de alguns homens, são rapidamente contestados pelas próprias usuárias.

"Agradeço às minhas amigas [mais velhas] por terem me colocado em contato com o feminismo. Isso não estaria acontecendo sem elas". Ela diz que há poucas garotas de sua idade que se consideram feministas, mas que enxerga uma mudança gradual na mentalidade.

Coletivos feministas em escolas, sites para adolescentes como a Capitolina, e projetos como o Sai Pra Lá estão, sem dúvidas, fazendo com que um número cada vez maior, e uma geração cada vez mais nova, se interesse pelo tema e perceba que a união de mulheres pode fazer barulho. Como já diria Jout Jout, chegou a hora de "fazermos um escândalo"!

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