COMPORTAMENTO

A modelo Ashley Graham fala sobre confiança corporal, o termo 'plus size' e aprender a amar a si mesma

06/11/2015 22:26 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
-

2015 vem sendo um ano excepcional para Ashley Graham. Sua palestra TED, em que ela elogiou suas próprias curvas, virou viral; ela vem sendo destaque da Sports Illustrated, Vogue e outras revistas, e, mais recentemente, estreou sua linha de lingerie na Semana de Moda de Nova York.

É sobre essa linha de lingerie que Graham se mostra mais interessada em falar. É a sétima coleção que ela cria para a grife canadense Addition Elle.

São peças que ela descreve como sendo “sexies com sustentação”.

Lançada em tempo para o Natal, a nova coleção Black Orchid começa a ser vendida no Reino Unido agora no site de moda plus size Simply Be.

ashley_plussize

Ashley Graham, que é manequim 16 no Reino Unido (equivalente ao 44 ou 46 brasileiro), tomou a decisão de desenhar lingerie em 2012. Ela estava tendo dificuldade em encontrar lingerie com estilo e que lhe coubesse bem.

“As empresas estão começando a apresentar linhas mais sexy de sutiãs com bojos maiores, mas é um processo demorado”, disse a modelo, revelando que no futuro gostaria de estender sua linha para sutiãs para tamanhos maiores.

Mas não espere encontrar brilho em excesso: “Já que estamos na época das festas de fim de ano eu quis colocar um pouco de brilho na coleção, mas detesto qualquer coisa exagerada”, falou Graham, rindo.

“Muitas firmas de moda plus size andam exagerando no brilho das botas, assim como dos jeans. Me dá arrepios quando vejo isso.”

Para festejar a nova coleção de Ashley Graham, a HuffPost UK Style conversou com Graham sobre confiança corporal, o termo “plus size” e aprender a amar a si mesma.

ashley graham

Sobre o termo “plus size”

É maravilhoso quando não sou descrita como modelo plus size em todo editorial ou entrevista que faço. Isso transmite uma mensagem para as mulheres que estão aí fora: “Ela não está sendo descrita segundo seu manequim – está sendo respeitada pelas coisas que está fazendo no mundo”.

Acho que nos últimos 15 anos fui submetida à lavagem cerebral para me descrever como plus size. Ainda digo isso de vez em quando, especialmente quando faço referência a coisas do mundo da moda. Eu entendo quando o termo é necessário e quando não é, mas continuo a achar que não devemos usar rótulos com nada. Especialmente não quando estamos descrevendo uma mulher.

Sobre dar ouvidos às pessoas que tentam fazer as outras sentir vergonha do próprio corpo

Finalmente as mulheres estão querendo falar da vergonha do corpo, estão querendo combater isso. Elas querem pessoas na mídia que possam admirar. Fico feliz em ser essa mulher, porque eu sou essa mulher.

No passado eu odiava meu corpo. Ainda há dias em que sinto que o mundo vai acabar porque posso sentir um pneuzinho escapando por cima da cintura do meu jeans. Mas, em última análise, estamos todas juntas nessa situação.

Sobre confiança corporal

Neste momento acabo de sair do chuveiro e estou deitada na cama, completamente nua. Estou sem maquiagem, não arrumei o cabelo, e mesmo assim estou me sentindo sexy pra caramba.

Nem sempre senti confiança em meu próprio corpo. Eu sempre transmiti autoconfiança, mas nem sempre tenho sido capaz de me olhar no espelho e ficar satisfeita com o que vejo. Acho que a falta de confiança tinha muito a ver com ser jovem, ter ganho muito peso em pouco tempo e não ser capaz de aceitar meu próprio corpo.

Sobre aprender a se amar

Foi ao longo de alguns anos que comecei a abraçar a mulher que eu via no espelho e comecei a conseguir dizer a mim mesma: “Eu te amo”.

Ainda há manhãs em que acordo e penso “meu Deus, sou tão gorda!” ou “odeio este pneuzinho aqui”, mas tenho que me lembrar que não basta tomar um comprimido e tudo se resolverá, nem dizer “você é linda” uma vez diante do espelho, e pronto, ficará tudo bem. É um processo.

São precisos anos para a pessoa se curar, anos de encorajamento. E é por isso que eu quis criar uma comunidade de mulheres, para que pudessem falar sobre essas inseguranças corporais e a vergonha que muitas mulheres sentem do próprio corpo. Você não está sozinha!

Durante muito tempo eu me senti sozinha, mas agora, com o poder das mídias sociais e da plataforma que me foi dada, posso dizer a outras mulheres que elas não estão sós.

amar o corpo

Sobre sentir-se bem de lingerie

Mostre o que você tem de melhor. Toda mulher geralmente tem pelo menos uma coisa da qual gosta em seu corpo, então destaque essa coisa. Se você curte seus seios, compre um sutiã que levanta os seios. Se você detesta sua barriga, compre uma cinta. Uma camisete é perfeita para a garota que quer cobrir o corpo mas ainda ficar sexy.

Brinque com o que você gosta em você. Olhe no espelho e diga a você mesma que você está linda. Arrume-se não apenas para seu parceiro, mas para você mesma. Isso aumenta a autoconfiança.

Sobre as coisas que ela gostaria de ver mudar na moda plus size

Acho que muitas firmas de moda plus size não cortam suas roupas bem. Muitas delas produzem roupas para um só tipo de corpo. O que é bonito nas mulheres plus size, cheias de curvas, é que nossos formatos são todos diferentes. Então seria difícil imaginar que um só modelo de jeans ou de camiseta cairia bem na grande maioria de mulheres aí fora que são cheias de curvas.

Acho que ter mais opções de modelos de roupas seria uma boa ideia para as empresas de moda plus size. E eu também gostaria de ver mais alta qualidade na moda plus size.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost UK e traduzido do inglês.

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS: