MULHERES

Longe da televisão, Maria Paula quer empoderar mães presas em penitenciárias pelo Brasil

05/11/2015 17:00 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Estadão Conteúdo

Fora dos programas de televisão desde 2012, a atriz Maria Paula se dedica, atualmente, a prestar aconselhamento materno a detentas em penitenciárias de todo o Brasil.

Ela participou, na manhã desta quinta-feira (5), no Ministério da Justiça, do lançamento do Infopen Mulheres, o primeiro relatório sobre o perfil das detentas brasileiras divulgado pelo Departamento Penitenciário Nacional (Depen).

Embaixadora da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, Maria Paula dá palestras às presas - uma população invisível, segundo ela - sobre a importância do vínculo afetivo entre mães e bebês.

"Costumo dizer a elas que não importa se estão em um palácio ou uma prisão: a doação do tempo delas a seus filhos tem muita importância para o futuro dessas crianças", disse.

A atriz conta que, nos primeiros momentos, percebe resistência das mulheres presas em relação à sua presença.

"Elas devem pensar: o que a garota-propaganda das Organizações Tabajara está fazendo aqui?", diverte-se a atriz, que por anos fez parte do elenco do extinto programa de humor Casseta & Planeta, da Rede Globo.

"Mas, depois, veem que tenho algo a dizer. Meu recado principal é de que, embora presas, ninguém pode privá-las da liberdade do afeto", completou.

Maria Paula, que tem formação em Psicologia, assumiu papel de ativista em 2004, quando teve sua primeira filha.

"Hoje, a maternidade é o foco central do meu trabalho", diz.

Seu maior orgulho, relata, é ver as mães presas superarem traumas e conseguirem olhar com suavidade para seus filhos.

De acordo com o relatório do Depen, a maioria das penitenciárias não dispõe de creches, berçários ou celas especificas para gestantes. Durante a apresentação do documento, o aparelhamento de centros materno-infantis e de salas de aleitamento nas prisões brasileiras foi destacado como prioridade do Depen para 2015 e 2016.

A população penitenciária feminina no Brasil apresentou crescimento de 567,4% entre 2000 e 2014, enquanto a dos homens, no mesmo período, foi 220,20%.

A informação está no primeiro relatório nacional sobre a população penitenciária feminina do país, divulgado nesta quinta-feira (5) pelo Ministério da Justiça.

O estudo Infopen Mulheres é baseado nos dados do último Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen) e contém dados de 1.424 unidades prisionais em todo o sistema penitenciário estadual e federal relativos ao mês de junho de 2014.

Segundo o Infopen, a população prisional brasileira no Sistema Penitenciário em 2014 era 579.781 pessoas, levando em consideração as prisões estaduais e federais.

(Com informações da Estadão Conteúdo e Agência Brasil)

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