COMPORTAMENTO

Gal Costa: 'Num mundo machista eu dou a minha cara a tapa'

05/11/2015 09:01 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Reprodução

"Não sou mais tola

Não mais me queixo

Não tenho medo

Nem esperança

Nada do que fiz

Por mais feliz

Está à altura

Do que há por fazer"

Os versos que inauguram Estratosférica (2015), 36º álbum de estúdio de Gal Costa, dizem muito sobre a força da cantora baiana. Aos 70 anos de vida - 50 deles dedicados à carreira -, Gal, que já trabalhou ao lado de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia e Milton Nascimento, se considera "abençoada". "Fui muito abençoada esses anos. Ainda tem bastante gente [para trabalhar]", disse a cantora em entrevista ao HuffPost Brasil.

Sucessor do "eletrônico" Recanto, álbum lançado em 2011 e composto de faixas assinadas apenas por Caetano Veloso, com o novo disco de inéditas, Gal investe na pluralidade de colaboradores.

"Para Estratosférica, o [jornalista] Marcus Preto quem me ajudou a escolher as músicas. Ele foi pedindo músicas aos compositores que conhecia, que gostava. Fomos ouvindo e escolhendo até chegar nessas canções"

Segundo Gal, a proposta era apresentar canções apenas de novos artistas. Músicos como Marcelo Camelo e Lirinha (ex-Cordel do Fogo Encantado), responsáveis pelas inéditas Espelho d'Água e Jabitacá, respectivamente. "Eu queria cantar um repertório novo, de gente jovem ou de uma geração que está há muito tempo na carreira, mas que eu não tivesse gravado ainda", completou.

Entre os responsáveis pelos versos que preenchem Estratosférica, um time de mulheres formado por Céu, Thalma de Freitas, Marisa Monte e Mallu Magalhães, esta última, responsável pela pegajosa Quando Você Olha Pra Ela. Segundo a cantora, essa foi uma escolha "proposital". Quando questionada se seria "feminista", Gal respondeu:

"Não me considero feminista. Acho que o mundo é menos machista do que foi no passado, isso é uma conquista gradual e aos poucos, com o tempo, vai transformar cada vez mais. Me considero feminista no sentido que eu atuo e exerço o meu trabalho. Acabo sendo feminista nesse sentido, pois num mundo machista eu dou a minha cara a tapa. Mas não faço pensando em ser feminista".

Com lançamento de Estratosférica em CD, vinil e também em formato digital - como iTunes e streaming pelo Spotify -, Gal Costa afirma lidar com as diferentes mídias com naturalidade. "Eu uso muito a internet para ouvir música. Eu baixo no meu celular ou no meu iPad e gosto de ouvir com fone de ouvido", respondeu.


Ouça Estratosférica: