NOTÍCIAS

Após 40 anos de luta, companheiro de Honestino Guimarães é anistiado

05/11/2015 21:48 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Montagem/Reprodução

Pouco mais de um ano após representar o companheiro Honestino Guimarães na Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, o advogado, jornalista e ex-preso político Wílon Wander Lopes, 71 anos, voltou ao mesmo local. Desta vez, para o seu julgamento, no qual fez, pessoalmente, as suas honras, com um discurso emocionado.

Wílon foi anistiado nesta quarta-feira (4), recebeu oficialmente o pedido de desculpas do Estado brasileiro e foi reintegrado ao quadro de funcionários do Senado Federal, do qual foi obrigado a se desligar por medo de se tornar mais um desaparecido político.

“Foi um tribunal que reparou efetivamente os danos da perseguição política que a gente sofreu. O julgamento foi bem claro, fiquei muito emocionado. São 40 anos de luta, de angústia. Foi tanta maldade, com tantas mortes. Algo muito triste, que agora é coisa do passado. Só a nossa luta pela democracia que continua dia após dia”, disse ao HuffPost Post.

Aluno do curso de Direito da Universidade de Brasília, em 1965, Wílon relata que foi coagido a trancá-lo, vítima de perseguição política. Em seguida, foi demitido do cargo de professor da Fundação Educacional do Distrito Federal.

Nos documentos do Serviço Nacional de Informações (SNI), ele é classificado entre “elementos que não devem exercer o magistério”, “pelas suas implicações de caráter subversivo”.

Honestino e Wílon foram colegas na UnB, ingressaram no mesmo ano, companheiros de militância e ambos presidiram a Federação dos Estudantes da Universidade de Brasília (FEUB). Honestino em 1968, mesmo estando preso e Wílon, no ano seguinte.

Quando esteve no comando da Feub, a opressão contra Wílon ficou ainda mais intensa. Em 1971 foi obrigado a pedir licença sem vencimento do cargo que ocupava no Senado, três anos mais tarde, foi indiciado por abandono do cargo.

Vice-presidente da Comissão de Anistia, José Carlos Filho considerou o caso emblemático.

“Quando Honestino foi anistiado, foi ele quem fez as honras da casa e falou em nome da família. E agora, fez outra manifestação emocionada no caso dele. Eles lutaram juntos, foram próximos. Tiveram um papel importante na luta contra a ditadura."

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS: