LGBT

No Laos, uma minoria invisível está encontrando sua voz

04/11/2015 17:32 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
CHUMSAK KANOKNAN/GETTY IMAGES

O país majoritariamente budista registra avanços no reconhecimento da emergente comunidade LGBT.

ativistas

Devotos jogam água em monges budistas durante o festival Songkran, em Luan Prabang, abril de 2008. O homossexualismo não é considerado crime no país comunistas, mas as leis e as políticas mantêm o silêncio sobre questões LGBT.

Esta é a nona parte de uma série de dez reportagens sobre os direitos da população LGBT do Sudeste Asiático, que revela os desafios da comunidade na região e destaca o trabalho corajoso dos ativistas.

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Se há uma palavra para descrever a comunidade LGBT do Laos, país encravado entre a Tailândia e o Vietnã, essa palavra poderia ser “invisível”.

Como o Vietnã, o Laos é um dos poucos países comunistas remanescentes. Também como o vizinho, o país vem sendo governado de forma estrita pelo Partido Comunista desde 1975.

Predominantemente budista, o Laos vem sendo condenado nos últimos anos por seu terrível histórico de violações dos direitos humanos.

O Departamento de Estado americano afirmou em 2013 que “a discriminação social baseada em orientação sexual e contra indivíduos com HIV/Aids” é prevalente, entre outras violações dos direitos humanos.

Os ativistas afirmam que é difícil encontrar um ambiente seguro para o discurso LGBT.

“LGBT ainda é uma terminologia abstrata, que precisa ser claramente identificada aos olhos e ouvidos da população”, diz ao The Huffington Post Anan Bouapha, considerado o líder do nascente movimento LGBT do Laos.

Mesmo assim, houve alguns avanços no reconhecimento da comunidade LGBT do país.

Recentemente o governo deu passos na direção de incluir homens gays e transgêneros no Plano Nacional de Estratégia e Ação para a prevenção do HIV/Aids.

Alguns eventos de conscientização, incluindo o primeiro evento do orgulho gay, em 2012, e o primeiro Dia Internacional Contra a Homofobia, a Transfobia e a Bifobia, realizado este ano, são sinais positivos de mudança.

“Muita gente pode achar que o Laos é um país conservador e de cabeça extremamente fechada quando se trata de questões LGBT. Sendo realista, nossa cultura e nossa mentalidade parecem ser bastante abertas a pessoas de todos os tipos”, diz Bouapha.

“Vi muitos transgêneros vestindo roupas tradicionais para ir a templos e para participar de cerimônias. Também vi estudantes gays expressando suas identidades para seus colegas e professores.”

O homossexualismo não é considerado crime no Laos. As leis do país, entretanto, se mantêm em silêncio em relação aos direitos da população LGBT.

Bouapha diz que aumentar a visibilidade da comunidade LGBT é o passo “mais essencial” para seguir avançando.

“Só então poderemos começar a falar de acesso igualitário à educação e aos empregos, sem discriminação ou estigma”, diz ele, “e o caminho para uma participação significativa no desenvolvimento nacional”.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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