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Após mais de 30 anos de proibição, França autoriza doações de sangue por homossexuais

04/11/2015 12:11 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
iStock

A França anunciou, nesta quarta-fiera (4), que deve acabar com as restrições para que homens gays sejam doadores de sangue até 2017.

De acordo com a ministra da Saúde, Marisol Touraine, e a decisão marca "o fim do tabu e da discriminação".

"Doar sangue é um ato de generosidade, cidadania, e não pode ser condicionado à orientação sexual", afirmou a ministra em um comunicado.

De acordo com autoridades francesas, o fim das restrições será feito a partir da primavera de 2016 (outono no hemisfério sul) de forma gradativa, para que o governo possa acompanhar de perto os impactos da liberação. Se tudo correr como especialistas estimam, as restrições devem ser ainda menores a ampliadas para outros grupos em 2017.

De acordo com a AFP, o primeiro passo será permitir a doação de sangue para homens que estejam há, pelo menos, 12 meses sem ter relações sexuais. Para a doação de plasma (parte líquida do sangue), serão considerados doadores aqueles que estiverem há quatro meses sexualmente inativos ou em uma relação monogâmica.

A medida, segundo informações do G1, deve fazer com que 21 mil pessoas a mais doem sangue anualmente.

O assunto é especialmente sensível na França: na década de 1980, centenas de pessoas morreram após sangue contaminado pelo HIV ter sido distribuído em centros de transfusão. Na época, servidores públicos - inclusive o chefe do serviço de transfusão - foram presos ou multados. O teste obrigatório de HIV para doadores de sangue começou em 1985.

Em maio, a agência que regula alimentos e medicamentos nos EUA, a Food and Drug Administration (FDA) recomendou que a restrição vitalícia para que homens gays doem sangue seja deixada de lado. Segundo especialistas, a política, que já dura 32 anos, não se justifica mais.

No Brasil, portarias do Ministério da Saúde tratam como "inaptos temporários" à doação homens que tiveram relações com outros homens. A medida foi adotada na década de 1980, auge da epidemia de AIDS, e ainda segue vigente. No entanto com testes de HIV cada mais mais modernos e precisos, ativistas afirmam que a exclusão é antiética e sem justificativa científica. De acordo com as regras vigentes, um gay pode ser considerado "apto" para a doação caso fique um ano sem ter relações sexuais.

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