COMPORTAMENTO

7 coisas absurdas que a cultura pop te ensinou sobre perder a virgindade

03/11/2015 21:43 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
divulgação

Por que tantas mentiras?

Ah, a virgindade feminina. Para a maioria das mulheres, chega um momento em que elas ficam super conscientes da própria virgindade. De repente, percebem que estão naquele limbo em que “não são mais meninas, mas ainda não são mulheres”.

Ora nos dizem que devemos ficar obcecadas com nossa virgindade, ora que não devemos pensar no assunto. Você tem de cuidar dela com carinho, mas entregá-la para a pessoa certa – só não dá para esperar muito. O maior mito sobre a virgindade é que ela é fácil de definir. Na realidade, existem inúmeras definições, e todas elas dependem de como você se sente a respeito do assunto.

Apesar disso, muito do que as mulheres jovens pensam sobre a virgindade é ditado pela sociedade e pela cultura pop. Veja abaixo algumas das maiores mentiras que a cultura pop conta para as mulheres sobre o que acontece quando finalmente chega a hora H.

1. Você vai morrer.

Existem várias cenas de filmes de terror (A Hora do Pesadelo, Sexta-Feira 13, Halloween) em que a adolescente virginal e inocente vira alvo do bicho-papão durante o ato sexual, ou logo na sequência.

Se a menina consegue manter a virgindade intacta até o fim do filme, a recompensa é que ela vai ser A Última Menina.

É um recurso besta e previsível, mas fala do horror geral e subliminar que envolve a ideia do sexo adolescente, especificamente para adolescentes virgens. As meninas aprendem implicitamente que sua sexualidade é perigosa e pode até mesmo colocar sua vida em risco.

Perder a virgindade de maneira “não-honrosa” significa selar o próprio destino. Zzzzz...

2. Você vai engravidar na hora. E o bebê vai quebrar sua coluna e te comer por dentro.

OK, essa segunda parte está na trama de Amanhecer, a última parte da saga Crepúsculo, de Stephanie Meyer.

Bella Swan é efetivamente morta por seu bebê não-nascido antes de virar uma vampira sanguinária para salvar a própria vida. Mas a história da gravidez-logo-depois-do-sexo não existe só no universo de Crepúsculo.

Ela aparece em filmes, livros e programas de TV, de clássicos como A Cegonha Não Pode Esperar, em que Molly Ringwald fica grávida depois de perder a virgindade para o namorado, a todos os filmes do canal Lifetime.

Essa narrativa só aumenta a ansiedade em torno do sexo adolescente. E é tão ridícula quanto falsa a ideia de que, por mais cuidadosa e responsável que seja, você vai engravidar.

3. Você vai virar uma pessoa grudenta.

Na segunda temporada de Girls, há uma cena em que Shoshana é rejeitada depois de contar que é virgem para um cara com quem está a ponto de transar. “As virgens grudam”, diz ele. “Ou sangram. Vocês grudam quando sangram.

”A ideia é que a cena seja engraçada, invertendo a narrativa tradicional de que virgens são “grudentas”. Mas a ideia de que mulheres virgens vão grudar nos caras depois da primeira transa é reiterada e reforçada o tempo todo. Um exemplo claro está no filme Segundas Intenções.

A personagem de Selma Blair fica obcecada com Sebastian depois de perder a virgindade com ele. Sim, emoções podem fazer parte da história para algumas mulheres (e isso é totalmente normal e OK), mas o mito de que todas a mulheres são incapazes de separar amor e sexo não poderia estar mais distante da verdade.

Além disso, a ideia do grude coloca uma expectativa desnecessária e injusta nas meninas que se sentem prontas para perder a virgindade.

4. Vai mudar tudo.

Falando em expectativa, o evento da perda da virgindade é hypado demais. A cultura pop ensina às mulheres que perder a virgindade vai ser a coisa mais momentosa das suas vidas. Filmes adolescentes como American Pie: A Primeira Vez, Queridinhas e Rumo ao Sexo são baseados nesse tema.

Para que fique claro: ninguém está dizendo que transar pela primeira vez não é um evento importante, mas também não precisa ser algo tão monumental assim. Cada pessoa tem uma ideia de virgindade e de sexualidade em geral – por mais que alguns filmes digam o contrário.

5. Se você não perder a virgindade na adolescência, alguma coisa está muito errada com você.

Vivemos numa sociedade em que as mulheres são censuradas por serem curiosas em relação ao sexo, mas ao mesmo tempo chamadas de frígidas ou “pudicas” quando escolhem não serem sexuais.

Segundo os Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos, a idade média em que as meninas perdem a virgindade no país é de 17 anos.

Mas há muitas que continuam virgens nos 20 e até mesmo nos 30 – e nem todas por motivos religiosos. Embora a virgindade seja vista como algo que as mulheres deveriam “entregam” seletivamente, as virgens mais velhas têm de lidar com outro tipo de estigma. É claro que cada pessoa deveria ter o direito de definir virgindade, assim como quando abrir mão dela – e não ter de se conformar com uma “janela” considerada socialmente aceitável.

6. Se você não perder sua virgindade com alguém que

ama, vai se arrepender para o resto da vida.

Algumas pessoas se sentem mais à vontade sexualmente quando estão apaixonadas pelo parceiro. Para outras, não faz tanta diferença. Mas nossa cultura perpetua a ideia de que, se uma virgem transar com alguém por quem não está apaixonada, não só ela vai virar uma pessoa “grudenta” como vai se sentir humilhada quando descobrir que o parceiro não está a fim dela. De novo, esse mito alimenta a ideia de que as mulheres são emotivas demais e que a sexualidade tem a ver com o que os outros pensam delas. Mas a escolha só depende da gente. O que importa é ser consensual e gostoso. Ponto final.

7. Lésbicas, bis e trans não são parte da conversa.

Quantas vezes você viu mulheres LGBT passando por sua primeira experiência sexual você já viu na mídia mainstream? A narrativa da virgindade na cultura pop – e fora dela – quase sempre diz respeito a casais heterossexuais e penetração de pênis em vaginas. Um grupo inteiro de jovens mulheres que estão experimentando suas sexualidades pela primeira vez não é representado. É sempre essa mesma ideia de que a virgindade é algo que alguém (ou seja, um homem) “tira” de uma mulher. Na realidade, o sexo pode ser muitas coisas diferentes, mudando de importância dependendo das pessoas

envolvidas.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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