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Companhia aérea russa rejeita possibilidade de que falha técnica causou acidente no Egito

02/11/2015 11:48 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Representantes da companhia aérea russa MetroJet rejeitaram, em uma coletiva de imprensa nesta segunda (2), a hipótese de que uma falha técnica tenha causado o acidente em que 224 pessoas morreram no Egito no último sábado (31). As informações são da Reuters.

Segundo um dos vice-diretores da empresa, Alexander Smirnov, a queda só pode ter sido causada por "uma ação externa". Ele ainda frisou que "o avião estava em excelente estado técnico. Nós descartamos falhas técnicas ou erros da tripulação", e que as investigações, neste momento, descartam a possibilidade de erro humano.

No entanto, para o porta-voz do governo russo, Dmitri Peskov, ainda não foram recolhidas informações suficientes para descartar qualquer hipótese. "A investigação só está começando. Temos que esperar ao menos os primeiros resultados."

avião coletiva imprensa

Ainda no último domingo (1), Viktor Sorochenko, um representante do Comitê de Aviação Intergovernamental, após visitar o local da queda, afirmou que o avião partiu no ar, mas frisou que ainda é cedo demais para concluir algo a partir desta informação.

"A destruição aconteceu no ar e fragmentos se espalharam ao longo de uma grande área de cerca de 20 quilômetros quadrados", disse o diretor do Comitê Intergovernamental de Aviação, Viktor Sorochenko. "(Mas) ainda é cedo demais para falar sobre conclusões", disse ele na televisão russa no Cairo.

Autoridades russas também ordenaram que a companhia aérea Kogalymavia, operadora do Airbus A321, não coloque em uso nenhum de seus jatos do mesmo modelo até que as causas do acidente sejam conhecidas.

O jato, que a Kogalymavia voava usando o nome Metrojet, carregava turistas do resort de Sharm el-Sheikh, no Mar Vermelho, a São Petersburgo, quando caiu em uma área montanhosa no centro da Península do Sinai 23 minutos depois de perder contato via radar.

Momentos após a queda, um grupo militante afiliado ao Estado Islâmico no Egito assumiu a responsabilidade pela queda do avião. A informação, inicialmente, foi divulgada em um comunicado de apoiadores do EI no Twitter, mas foi apagado logo depois.


Os combatentes do Estado Islâmico foram capazes de derrubar um avião russo sobre a província do Sinai que levava mais de 220 cruzados russos. Eles foram todos mortos, graças a Deus", disse a declaração que circulou no Twitter.

Porém, fontes da segurança egípcia disseram que as primeiras investigações sugeriam que o avião havia caído devido a uma falha técnica.

Investigação pode demorar meses

Analistas egípcios começaram a examinar o conteúdo de duas "caixas pretas" recuperadas do jato ainda neste fim de semana, mas o processo, segundo uma fonte da aviação civil, pode demorar dias. No entanto, o ministro de Transportes da Rússia, Maxim Sokolov, disse ao canal de televisão Rússia 24 que o trabalho ainda não começou.

Um repórter da Reuters no Ministério da Aviação Civil viu analistas deixando a unidade de análise técnica que confirmaram que começaram a avaliar as caixas pretas.

Investigadores russos vão considerar todos os cenários possíveis sobre porque o avião com 224 pessoas a bordo caiu, disse o porta-voz do Comitê de Investigação da Rússia em comunicado no site do comitê.

Vladimir Markin acrescentou que os investigadores pegaram documentos técnicos do avião para todo o período de seu uso e que interrogaram funcionários responsáveis pela assistência aos aviões da Kogalymavia, bem como a tripulação de um voo recente da empresa.

O presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, afirmou que as investigações sobre as causas do acidente com um avião russo no sábado em que 224 pessoas morreram pode levar meses.

"Esse é um assunto complicado e exige tecnologias avançadas e investigações amplas que podem levar meses", disse ele a recrutas do Exército em um discurso televisionado neste domingo.

163 dos corpos já foram recuperados

destroços avião

Em uma área desolada de solo pétreo, resta pouco do avião russo que desabou na península do Sinai, no Egito, exceto pelos destroços e por um amontoado de maletas coloridas.

Equipes de resgate limparam a área em que caiu o Airbus A321 no sábado, coletando em uma pilha os pertences dos turistas mortos que estavam espalhados em torno da parte principal dos destroços.

Uma sandália rosa para crianças decorada com flores brancas estava entre os detritos, uma lembrança de que 17 crianças estavam entre as 224 pessoas a bordo do voo do resort de Sharm el-Sheik, no Mar Vermelho, a São Petesburgo, hoje todas mortas.

Pelo menos 163 dos corpos já foram recuperados do jato, operado pela companhia áerea russa Kogalymavia sob o nome de Metrojet, e transferidos a hospitais e necrotérios na capital Cairo.

Na manhã deste domingo (1), uma equipe de resgate e investigação composta por cerca de 100 russos se juntou à busca pelos corpos remanescentes e por evidência para esclarecer o que aconteceu.

Era possível ver roupas, carregadas pelos turistas que voltavam para casa de Sharm al-Sheikh --um dos destinos favoritos de russos que buscam sol no inverno-- espalhadas pelo terreno.

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