MUNDO

Como um estudante levou eletricidade pela primeira vez para uma vila na Índia

30/10/2015 21:03 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Para as 76 famílias no minúsculo vilarejo de Naro ka Kheda, no estado de Rajasthan, ao norte da Índia, caminhar 7 quilômetros para carregar a bateria de seus celulares fazia parte da rotina diária.

O vilarejo, localizado a 25 km de Udaipur, nunca teve abastecimento próprio de eletricidade. Em 23 de julho de 2015, a primeira casa recebeu energia, graças ao projeto piloto de um estudante da Escola de Negócios da Universidade de Durham, na Inglaterra.

Prabh Singh, 24 anos, nascido em Nova Deli, capital da Índia, sempre sonhou em vestir um terno e trabalhar em um banco de investimentos. Em vez disso, acabou criando um plano para levar eletricidade a áreas remotas em seu país.

prabh singh

Prabh Singh foi inspirado pela disponibilidade de painéis solares no eBay

“Estava conversando com três colegas de classe sobre a disponibilidade de painéis solares no eBay e como as pessoas na Grã-Bretanha têm acesso à rede [de eletricidade] durante suas eventuais viagens de pesca utilizando energia solar acessível”, explica. “Acabou sendo a inspiração para meu projeto.”

“Pensei, se as pessoas no Ocidente podem usar energia solar como um item de luxo, por que então as pessoas em meu país, onde 75 milhões vivem sem eletricidade, não podem usá-la como um item básico?”

Com isso, o “Projeto Kiran” — que significa “chuva” ou “raio de luz” em sânscrito — nasceu.

“Apesar de ter nascido e sido criado na Índia, nunca havia passado uma noite em um vilarejo, sozinho em uma vila sem acesso à eletricidade”, diz Singh. “Trabalhei junto com os moradores, convivi com eles e sentei no chão de suas casas escuras, comendo com eles para ter uma noção dos benefícios que o ‘Projeto Kiran’ poderia trazer.”

prabh singh

Um painel solar instalado em uma residência da vila

O custo de 7 mil libras esterlinas (cerca de R$ 42 mil) do projeto piloto foi coberto por uma campanha de crowdfunding (captação de recursos pela internet) dos moradores e do Centro do Nordeste para Alcance e Aplicação de Tecnologia (NECTAR), uma sociedade autônoma do governo indiano, que concordou em apoiar a iniciativa.

O projeto criou um kit de eletricidade ‘fácil de instalar e usar’, assegurando que a iniciativa fosse acessível a moradores em localidades remotas, sendo composto por um painel solar, três lâmpadas, uma fita elétrica e uma tomada para carregador de celular.

Também foi possível instalar uma rede de manutenção que gera uma receita de cerca de 50 mil rupias indianas (cerca de R$ 3 mil) à economia local da comunidade, diz Singh.

painel solar

Menina posa para foto ao lado do painel solar de Singh

Agora, Singh quer levar seu raio de luz para outras comunidades e espera transformar seu projeto em um negócio lucrativo, com o objetivo de estimular o empreendedorismo rural.

“Estou conversando com uma agência do governo central indiano para replicar o mesmo projeto em 50 vilas remotas, com base num tipo semelhante de receita e mecanismo de serviço.

A felicidade e surpresa que vejo nos olhos dos moradores, depois que utilizam a eletricidade em suas casas pela primeira vez, são incomparáveis a qualquer outra realização profissional que jamais poderia imaginar atingir.”

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost UK e traduzido do inglês.

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