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A comunidade LGBT de Brunei encara um futuro aterrorizante

30/10/2015 18:07 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
INGO JEZIERSKI/GETTY IMAGES

A comunidade LGBT de Brunei encara um futuro aterrorizante.

Os gays vivem sob a ameaça de uma morte agonizante.

brunei

A mesquita Sultão Omar Ali Safuddin. O homossexualismo é ilegal no sultanato, que no ano passado instaurou a lei da Sharia em nível nacional.

Esta é a quinta parte de uma série de dez reportagens sobre os direitos da população LGBT do Sudeste Asiático, que revela os desafios da comunidade na região e destaca o trabalho corajoso dos ativistas.

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Em Brunei, os gays logo poderão ser punidos com a morte.

Mas nem sempre foi assim. A homossexualidade há muito tempo é um crime no país, localizado na ilha de Bornéu. A pena era de 10 anos de prisão, mas o sultanato anunciou no ano passado a instauração da Sharia em nível nacional.

O plano tem três fases e, quando for concluído, transformará Brunei no único país do Sudeste Asiático governado de acordo com as leis islâmicas.

De acordo com a Sharia, relações sexuais de pessoas do mesmo sexo são puníveis com morte por apedrejamento.

“É a volta a uma punição medieval”, disse ao The Guardian Phil Robertson, vice-diretor da Human Rights Watch para a Ásia.

“É um enorme passo atrás para os direitos humanos [no país] e completamente fora de sincronia com o século 21.”

barak obama e sultão hassanal bolkiah

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi criticado recentemente por não romper laços com o sultão Hassanal Bolkiah, do Brunei (à esquerda), apesar da posição do país em relação à comunidade LGBT e aos direitos humanos.

A posição dura de Brunei contra a comunidade LGBT disparou uma onda de críticas internacionais. A ONU instou o país a revisar suas leis.

Celebridades como Jay Leno, Ellen DeGeneres e John Legend pediram boicote às empresas de Hassanal Bolkiah , o bilionário sultão de Brunei.

Ellen DeGeneres

Não vou visitar o Hotel Bel-Air ou o Beverly Hills Hotel até que isso se resolva.

Richard Branson

Nenhum funcionário da @Virgin, nem nossas famílias, ficará hospedado nos Hoteis Dorchester até que o sultão respeite os direitos humanos básicos.

Josh Berman

Jay Leno lidera boicote do Beverly Hills Hotel, cidade confronta Brunei por causa da lei da Sharia

O país, entretanto, não dá sinais de voltar atrás em seus planos, e ativistas dos direitos humanos dizem que o pior ainda pode estar por vir.

Acredita-se que a fase final do novo sistema legal de Brunei ainda não tenha entrado em vigor, mas os ativistas dizem que isso já possa ter acontecido.

Quando essa terceira fase tiver sido implementada, os ativistas temem que o país vá perseguir a comunidade LGBT. Essa fase final, prevista para entrar em vigor no fim deste ano ou no começo de 2016, envolveria execuções para “crimes” como adultério e homossexualismo .

“No Sudeste Asiático, o país que tem o status mais preocupante para a população LGBT é Brunei”, afirma Ging Cristobal, da Comissão Internacional de Direitos Humanos de Gays e Lésbicas. “[A comunidade do país] está realmente preocupada com sua segurança.”

O ativismo LGBT na esfera pública é não-existente em Brunei e, com base em relatos, a pequena comunidade que existe se mantém escondida. Brunei foi o único país da Asean em que nenhuma pessoa ou ativista aceitou se manifestar ou contar sua história para o HuffPost – nem sequer anonimamente.

No ano passado, o jornalista americano Patrick Brzeski se infiltrou anonimamente na “cena gay underground” do sultanato. Discrição, disseram os locais, é fundamental.

“Em geral somos discretos e temos de esconder nossa identidade gay”, disse um homem a Brzeski. “Usamos o Grindr – [o aplicativo] é muito popular.

No Grindr, as pessoas são muito cautelosas. Às vezes acontecem festas privadas – em geral com artistas gays e celebridades...

Só temos de seguir uma regra: não fale do assunto publicamente.”

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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