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Retratos da inclusão digital no Brasil

29/10/2015 15:34 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02


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Faz uns meses que Vivian de Lima, de 32 anos, criou uma página no Facebook para seu salão de festas na favela de Heliópolis em São Paulo. Ela começou pelas fotos, claro. Subiu imagens de noivos radiantes, dos bolos, dos brindes e de crianças em trajes de princesas ou heróis. O público curtiu, comentou, recomendou. Mas não era o bastante. Vivian estava atrás de compartilhamentos.

Na busca por novos clientes, a dona do salão investiu em anúncios pagos na rede social. Botou dez reais. Poucos dias depois, veio o resultado: dois casais da região a contrataram para seus casamentos. O lucro do negócio superou R$ 6 mil. E não parou ali. O ritmo das postagens – e curtidas, comentadas, compartilhadas – cresce a cada dia. A demanda é tamanha que Vivian não pode se alongar em entrevistas. "Está muito corrido, desculpa", ela me disse várias vezes durante as últimas semanas. "Mas, olha, melhorou muito depois da página."

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Histórias como a de Vivian – a ser contadas em Motherboard nesta semana – são comuns pelas periferias do Brasil. São donos de pizzarias, de salões de beleza, de lojas de salgadinhos e de outros pequenos negócios que usam a internet para aumentar suas vendas. No levantamento mais recente sobre conectividade nas favelas, de setembro, o Data Favela divulgou que 57% dos usuários que acessam à rede nas regiões periféricas tiveram aumento de renda graças à internet. É bastante significativo se considerarmos que os 12,3 milhões de moradores de favelas no Brasil movimentaram, segundo a mesma fonte, US$ 19,5 bilhões em 2015 até o mês passado.

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A inclusão digital não é total, mas chegou.

Com maior poder de consumo das classes mais pobres, a tecnologia serve como aliada para moradores de periferias se tornarem protagonistas. Hoje a maioria deles possui smartphone – 9 em cada 10 residentes de Heliópolis usam a internet pelo celular, conforme pesquisa do Facebook feita com 1950 pessoas neste ano. O dispositivo serve para tudo: ver notícias, comunicar, empreender, entreter; para buscar o que quiserem, enfim. "Tem muitos casos de pessoas que conseguiram emprego com vagas que viram na internet ou graças a um estudo online", me falou Francisco José de Lima, o Preto Zezé, presidente da Cufa, a Central Única das Favelas, para citar como é grande a abrangência dos celulares nessas regiões.

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