NOTÍCIAS

Lula admite mudança de discurso após eleições e promete três anos de pancadaria

29/10/2015 14:57 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
DIDA SAMPAIO/Estadão Conteúdo

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, durante fala de mais de uma hora em reunião do diretório nacional do PT nesta quinta-feira (29) que a mudança de discurso do governo da presidente Dilma Rousseff após as eleições é um dos motivos que faz a atual crise política se arrastar por muito mais tempo. Outro aspecto, acrescentou, é a dificuldade na construção da coalizão política.

"Tivemos um problema político sério, porque ganhamos a eleição com um discurso e depois das eleições tivemos que mudar o nosso discurso e fazer aquilo que a gente dizia que não ia fazer", afirmou.

Segundo ele, a construção de uma coalização ampla com vários partidos que, no espectro ideológico são considerados conservadores ou de direita, também contribuiu para prolongar a crise.

"É com essa gente que temos que governar. E são esses companheiros que têm que participar do governo para a gente construir não só a nossa governança, mas a nossa maioria dentro do Congresso", afirmou o ex-presidente, reconhecendo que o "ponto ideal" seria ter ganhado as eleições apenas com partidos de esquerda, "só com companheiros que pensam igual a gente”.

Para além da coalizão e da mudança de discurso, o enfraquecimento dos partidos também tem aprofundado a crise política. Na avaliação deles, as direções e os líderes partidários já não têm mais o poder que tinham antes.

"Líderes de partidos da Câmara já não conseguem mais liderar sua bancada. Quem está negociando sabe que está muito mais difícil fazer acordo com a direção de partidos ou com os líderes", afirmou o petista.

De acordo com Lula, os partidos funcionam hoje baseados em grupos de interesse. Ele afirmou que "os companheiros" só aceitam acordos após o atendimento a reivindicações, "às vezes uma reivindicação que não é importante".

"Lamentavelmente é assim a vida política do País num regime de coalizão", afirmou.

O ex-presidente acrescentou que, nesse contexto, há ainda um "elemento novo", que é a força da influência do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), sobre os deputados.

"Verdade ou mentira (a força do peemedebista), o dado concreto é que estamos vivendo uma situação de certa estranheza de comportamento no Congresso", afirmou. "E obviamente o PT virou uma espécie de sapinho feio, ou seja, a coisa rejeitada”.

Defesa

Lula também se defendeu sobre as investigações da Polícia Federal que envolvem seu filho caçula e a fragilidade do partido e do governo Dilma.

"Ninguém precisa ficar com pena. Aprendi com a vida a enfrentar adversidade. Se o objetivo é truncar qualquer perspectiva de futuro, então vão ser três anos de muita pancadaria. E, podem ficar certos, eu vou sobreviver."

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS: