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29/10/2015 15:06 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Blogueiro saudita condenado a prisão e açoites recebe prêmio da União Europeia

Carsten Koall via Getty Images
BERLIN, GERMANY - JUNE 11: Simone Peter, Federal Chairman of Buendnis 90/ Die Gruenen, and Klaus Staeck demonstrate outside the Saudi Arabian Embassy against the recent Saudi court ruling that upheld a previous verdict of ten years in prison and 1,000 lashes for Saudi blogger Raif Badawi on June 11, 2015 in Berlin, Germany. The court accuses Badawi of insulting Islam in an Internet forum. (Photo by Carsten Koall/Getty Images)

O blogueiro saudita Raif Badawi, que foi sentenciado a mil chibatadas e dez anos de prisão por insultar o Islã e cometer crimes cibernéticos, recebeu o prêmio da União Europeia para direitos humanos e liberdade de expressão nesta quinta-feira (29).

Badawi recebeu o primeiro dos 50 açoites em janeiro, o que desencadeou críticas severas de países ocidentais ao histórico de direitos humanos do reino, incluindo as restrições que impõe à liberdade religiosa e aos direitos das mulheres sauditas.

Este mês, em Londres, Badawi já havia recebido o prêmio Escritor Internacional de Coragem e foi co-vencedor do prêmio PEN Pinter.

Na segunda-feira (26), o embaixador da Arábia Saudita na capital inglesa ameaçou “repercussões potencialmente sérias” para os laços com a Grã-Bretanha a menos que uma relação mais respeitosa seja desenvolvida.

Syed Kamall, parlamentar britânico e membro da Assembleia europeia que indicou Badawi à honraria da UE, disse que “a Arábia Saudita pode trancafiar o homem e pode açoitá-lo, mas só irá fortalecer entre seus conterrâneos o anseio pela liberdade de expressão e pelo debate que ele defende”.

Um tribunal da cidade saudita de Jidá condenou Badawi em 2012 por ele ter criticado um clérigo saudita em um blog e pedir mudanças na maneira como a religião é praticada no país.

A Arábia Saudita, que obedece o rígido código islâmico Wahhabi, não permite a adoração pública de outros credos nem a manutenção de locais de culto no país. Uma nova lei decretada no ano passado fez do ateísmo um delito terrorista.

Criado em homenagem ao cientista e dissidente soviético Andrei Sakharov, o prêmio Badawi é concedido anualmente pela UE desde 1988. Seus primeiros contemplados foram Nelson Mandela e o autor e dissidente russo Anatoly Marchenko.

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