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Preso desde maio na Suíça, Marin aceita ser extraditado aos EUA

28/10/2015 12:46 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Agência Brasil/FIickr
O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016 anuncia as cidades-sede do Torneio de Futebol Olímpico dos Jogos de 2016 Na foto: o presidente da CBF, José Maria Marin (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

A Justiça da Suíça autorizou a extradição de José Maria Marin, preso em Zurique, para os Estados Unidos. O ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) aceitou e negocia um acordo no valor de R$ 40 milhões para permanecer em prisão domiciliar em Nova York, onde tem um apartamento.

Marin e outros seis cartolas foram detidos no dia 27 de maio na cidade suíça e à pedido da Justiça norte-americana. Segundo o inquérito aberto em Nova York, o brasileiro é suspeito de ter recebido propinas para repassar direitos de transmissão e de marketing da Copa do Brasil e da Copa América.

O ex-presidente da CBF era o último dos sete dirigentes a ser examinado e, com a decisão, a Suíça acata a todos os pedidos de extradição dos EUA. Todos, salvo Jeff Webb, recorreram da decisão.

A defesa avalia se a decisão dos suíços da alguma forma permite uma brecha para um recurso. Mas se for considerada como uma decisão "forte", os advogados acreditam que prolongar a estadia de Marin na prisão seria apenas uma "perda de tempo".

O brasileiro tem um apartamento em Nova York e já negocia uma fiança milionária que o permitirá ficar em prisão domiciliar enquanto o julgamento ocorrer. Pelo acordo, seu imóvel seria confiscado pelos americanos, além de exigir um pagamento extra de mais US$ 7 milhões.

Nos EUA, porém, seu julgamento pode levar meses, enquanto os americanos também trabalham para que o brasileiro concorde em ajudar nas investigações.

"Todos os requisitos para a extradição estão cumpridos", declarou o Departamento de Polícia da Suíça. "Os fatos apresentados pelos EUA em seu pedido de extradição também são alvos de punição segundo a lei suíça", explicou.

De acordo com Berna, "ao aceitar subornos na atribuição de contratos de comercialização esportiva, Marin teria influenciado consideravelmente na concorrência e manipulado o mercado dos direitos relacionados com o meios de comunicação relativos à Copa América".

Pelo inquérito americano, uma tabela de preços de propinas foi montado pelas empresas que pagaram o suborno para ficar com o contrato. Marin teria recebido US$ 3 milhões na condição de presidente da CBF.

No caso da Copa do Brasil, gravações de conversas que ele manteve com o empresário José Hawilla apontam que ele teria pedido de parte de um suborno pago pela Traffic fosse destinado a ele.

A decisão é também uma má notícia para Marco Polo del Nero, atual presidente da CBF, e que também está sendo investigado pelo FBI. O dirigente não sai há quatro meses do Brasil, temendo ser preso.

Advogados consideravam que Del Nero estava aguardando uma sinalização no caso de Marin para decidir como lidaria com o cerco que se fecha contra ele. Com a autorização da extradição de Marin, a Suíça indica respaldar a investigação americana.

Propina

A decisão da Suíça de aceitar o pedido dos Estados Unidos para extraditar Marin deu indícios de que outros dirigentes do País podem ser envolvidos no caso de corrupção que levou parte da cúpula do futebol das Américas para a cadeia.

Nesta quarta-feira, ao informar que Marin fechou um acordo para simplificar o processo de extradição, o Departamento de Justiça da Suíça informou que o brasileiro é "suspeito de ter aceito e compartilhado com outros responsáveis o suborno em relação com os direitos de marketing para a Copa América de 2015, 2016, 2019 e 2023".

Ele também teria "aceito e compartilhado" propinas para a Copa do Brasil de 2013 e 2022. "Seus atos afetaram financeiramente a CBF, assim como as duas associações continentais".

O ex-presidente da CBF era o último dos sete dirigentes a ser examinado e, com a decisão, a Suíça acata a todos os pedidos de extradição dos EUA.

Marco Polo del Nero, atual presidente da CBF, também está sendo investigado pelo FBI.

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