MULHERES

6 provas de que o Enem 2015 foi o mais libertário e feminista de todos

26/10/2015 12:40 BRST | Atualizado 27/01/2017 00:31 BRST

Com uma questão que citou a estudiosa francesa Simone de Beauvoir na prova de ciências humanas e uma redação com o tema "A persistência da violência contra a mulher", o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2015 foi chamado nas redes sociais de "Enem feminista".

E não é para menos.

Com a questão debatendo gênero e o tema da redação sobre violência contra a mulher no Brasil, mas de 7 milhões de jovens brasileiros inscritos no exame refletiram sobre a questão, que é urgente no país e de extrema importância para quebrar o ciclo de violência e opressão fruto do machismo e do patriarcado.

Além disso, o exame também citou temas que trouxe nome de outros especialistas e pensadores como Paulo Freire, Gloria Anzaldúa, Agostinho Neto e Slavoj Zizek. Veja 6 provas de que o Enem 2015 foi o mais libertário e feminista de todos:

1. Simone de Beauvoir agradece!

Uma das questões da prova que mais repercutiu nas redes sociais foi a que trouxe a citação da filósofa e escritora francesa Simone de Beauvoir:


"Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam de feminino".

A pergunta pedia para o candidato caracterizar para qual movimento social da década de 1960 o pensamento de Beauvoir contribuiu.

A resposta correta era "organização de protestos públicos para garantir a igualdade de gênero", o item "C" no caderno de provas de cor branca.

2. E outros escritores tão libertários quanto também:

muito se tem falado de Simone de Beauvoir no ENEM, mas vejam só que uma teórica feminista chicana e queer, dos estudos...

Posted by Bianca Gonçalves on Domingo, 25 de outubro de 2015


Pouco conhecida, a escritora mexicana Gloria Evangelina Anzaldúa, citada na questão acima, foi uma das primeiras autoras que se assumiu lésbica e desafiou padrões no México. Ela desempenhou um papel de grande relevância na redefinição de identidades "chicanas", lésbicas, queer e teve papel vital no movimento feminista de inclusão na américa latina.

Foi o melhor momento do ENEM

Posted by Iara Musa on Domingo, 25 de outubro de 2015

Além de poeta e escritor, Agostinho Neto foi o primeiro presidente de Angola, em 1975 -- e, antes disso, foi um importante militante pela independência de Angola. Hoje, no dia 17 de Setembro é comemorado o 'Dia do Herói Nacional', em homenagem ao aniversário dele.

Além de Agostinho, Simone e Gloria, questões que citaram escritores como Paulo Freire e Slavoj Zizek estavam presentes na prova.

2. Mais de 7 milhões de inscritos pensando e escrevendo sobre violência contra a mulher:

A prova, que já tinha trazido uma questão sobre igualdade de gênero na área de ciências humanas, com uma citação da filósofa e escritora francesa Simone de Beauvoir, no dia anterior, fez mais de 7 milhões de inscritos escrever sobre "A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira", na redação:

Duplo twister carpado

Posted by Priscila Costa on Domingo, 25 de outubro de 2015


Para desenvolver o texto do tipo dissertativo-argumentativo sobre o tema, o candidato tinha quatro conteúdos de apoio, como na imagem acima: um cartaz de uma campanha contra o feminicídio, um gráfico com dados sobre o tipo de violência cometida contra mulheres, baseado em informações do Disque 180, da Secretaria de Políticas para as Mulheres e uma reportagem que abordava o impacto da Lei da Maria da Penha e dados estatísticos do Mapa da Violência no Brasil.

"Restava ao estudante saber como propor ações de prevenção e combate a esta situação que faz do Brasil o sétimos País do mundo onde mais mulheres são mortas", disse a professora Maria Aparecida Custódio, do colégio Objetivo, em entrevista ao IG.

Após a prova, alguns estudantes disseram que textos de coletivos feministas como o Think Olga e do Lugar de Mulher ajudaram na hora de elaborar os argumentos:

#OlgasNoENEM2015Nossa missão é o empoderamento feminino por meio da informação. E estamos no caminho certo! Neste...

Posted by Think Olga on Domingo, 25 de outubro de 2015


"militância de internet não serve pra nada"

Posted by Clara Averbuck on Domingo, 25 de outubro de 2015


3. Mulheres se inspiraram na própria história para escrever a redação:

Segundo uma reportagem do jornal O Globo, algumas candidatas usaram as próprias experiências para escrever a redação.

Uma delas foi Angelina Baclan, de 21 anos, que viu sua mãe sair de Londrina, no Paraná, para Curitiba com os filhos por causa do comportamento agressivo do marido, que era álcoolatra: Escrevi também em como essa violência afeta os filhos. Minha mãe voltou com meu pai. Ele parou de beber. Mas ela é submissa, minha vó também era. Eu quero é acabar com esse ciclo.

Por ver a mãe sofrer agressões, ela toma remédios antidepressivos desde os 12 anos e diz temer relacionamentos afetivos, informa a reportagem. Veja outros relatos clicando aqui.

4. Mas é claro que teve quem também se incomodou, e muito:

Os deputados Jair Bolsonaro (PP-RJ) e Marco Feliciano (PSC-SP) usaram as redes sociais para reclamar da prova de sábado do Enem 2015 (!). Uma das questões trouxe uma famosa frase de Simone de Beauvoir (“Não se nasce mulher, torna-se mulher”), no debate sobre lutas feministas e eles acusaram o exame nacional do ensino médio de "doutrinação":



5. Um tumblr batizado de "Machistinhas do Enem" não demorou para aparecer:

"E, como o choro é livre, o chorume já começou". É o que diz a descrição do tumblr que compilou uma série de comentários ~controversos~ sobre o Enem ter abordado temas que vão de encontro com o feminismo e pensamento libertário.

http://machistinhasdoenem.tumblr.com/post/131918435419/sabe-por-que-precisamos-do-feminismo-porque-o

6. Mas, apesar disso, as redes sociais foram à loucura com a visibilidade que o Enem trouxe:








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