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Atrasados para o Enem? Não! Ativistas se passaram por candidatos que perderam a prova

26/10/2015 20:11 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
MARCELO D. SANTS/FRAMEPHOTO/ESTADÃO CONTEÚDO

Você passou o fim de semana bombardeado pelas notícias sobre os atrasados do Enem?

Saiba que nem todos eram verdadeiros. O exame que movimentou quase 6 milhões de candidatos também foi diversão para algumas pessoas.

Teve um grupo que resolveu sabotar a prova e a mídia. Eles foram para a porta da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj) e se passaram por atrasados do Enem.

Intiulado “Sabotando o Enem”, um vídeo, publicado pelo coletivo Midiativistas Mariachi, mostra a frasa.

OS FALSOS ATRASOS DO ENEMO Mariachi esteve no portão da UERJ nessa manhã (24/10) e presenciou o grande circo midiá...

Posted by Mariachi on Sábado, 24 de outubro de 2015



Nas imagens, dois jovens chegam alegando atraso por causa do trânsito e dão entrevistas para um grupo de jornalistas. Na sequência, os mesmos jovens se identificam como estudantes da Uerj.

Questionado pelo apresentador do vídeo sobre o real motivo da encenação, o jovem confirma: “Vim para sacanear mesmo. Não estou fazendo nada em casa mesmo. Vou pro Trocador de Calor, a chopada da Engenharia Química”.

De acordo com a explicação do post, o objetivo do vídeo é questionar o “grande circo midiático” que se forma em torno de quem chega atrasado para fazer a prova.

Segundo Altamiro Borges, do blog do Miro e do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, é irresponsável a cobertura com os estudantes atrasados que perdem a prova.

“Chega a ser meio hipócrita. Em qualquer lugar você tem horários. Então, ao invés de discutir a abrangência do Enem, a grande participação é discutir o próprio temário, que este ano chamou a atenção por essa chamada pauta feminista, num momento histórico em que há muito machismo na sociedade e na própria mídia. Em vez de discutir coisas sérias, você discute quem atrasou.”

Altamiro ressaltou que, pelo fato de já ser conhecido o sensacionalismo em torno do tema, a mídia acaba sendo usada como holofote por pessoas que querem aparecer.

“Nós estamos vivendo uma fase no Brasil onde delator vira herói, onde bandido vira herói, onde documentos são repassados de forma seletiva para criar sensacionalismo. Mas estamos vivendo uma fase onde pessoas tentam também aparecer com base nessa onda pessimista. Infelizmente, a mídia acaba nutrindo esse tipo de sentimento. Às vezes, por objetivos políticos, ela [a mídia] acaba tendo uma postura que é contra o Brasil, o que é lamentável”.

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