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Em São Paulo, Los Hermanos fazem show ‘deja'vù' de turnê de 2012

25/10/2015 16:00 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
GISELE PIMENTA/FRAME/ESTADÃO CONTEÚDO

Longe dos palcos desde 2012, o grupo Los Hermanos retoma temporariamente a agenda de shows, que contou com uma apresentação neste sábado, no Anhembi, em São Paulo -- um espetáculo bastante parecido com o da última turnê.

Cerca de 30 mil pessoas - o maior público da banda, segundo o vocalista e guitarrista, Marcelo Camelo - se aglomeraram, debaixo de um céu fechado, para cantar, em uníssono, 29 sucessos de seus quatro álbuns lançados, em uma apresentação de quase duas horas.

Aos gritos de "uh, Los Hermanos", o grupo -- ou melhor, o público - abriu o show entoando os primeiros versos de O Vencedor, sucesso do álbum Ventura (2003).

Em seguida, emendou Retrato pra Iaiá, do Bloco do Eu Sozinho (2001). Ao fundo, um telão de LED de 26 metros ocupava todo o palco, retransmitindo ora a performance dos músicos ora efeitos de estrelas e cores.

Como de costume, os fãs, considerados dos mais apaixonados da música brasileira, acompanhavam a banda em cada verso.

Cantadas como se fossem hinos em uma espécie de karaokê ao ar livre, Além Daquilo que se Vê, Todo Carnaval Tem Seu Fim, e O Vento deram continuidade ao show. Em todas as músicas, sobressai a fórmula que projetou a banda no cenário musical nacional: a mistura entre rock, MPB e metais.

Em uma das poucas falas direcionadas ao público, Camelo resolveu fazer um agrado: "Este é o maior público da história do Los Hermanos. São 30 mil pessoas, fora o pessoal que está em casa", disse, em referência à transmissão feita pelo canal de TV pago Multishow.

"Está bom demais. Estou encabulado, gente, é verdade", disse Rodrigo Amarante, em outro momento do show. È possível, aliás, conferir como o show no site do Multishow.

Na sequência, Camelo e Amarante alteraram os microfones duas vezes para cantar, na ordem, Cadê Teu Suin?, Do Sétimo Andar, Condicional e Azedume.

Em um momento mais intimista, o telão ao fundo ficou vermelho para dar vez a Pois É. Depois, se apagou, para nada além dos versos de Morena se destacarem no palco.

Em seguida, uma chuva rala começou a cair, e embalou as interpretações de Um Par, O Velho e o Moço, A Outra e Paquetá.

Com o show perto do fim, a banda lançou mão de Sentimental, espécie de hino dos corações sofridos.

“Quem é mais sentimental que eu? Eu disse e nem assim se pôde evitar", desabafa a letra. Potente, a canção foi um dos pontos fortes do show, que logo voltou a ganhar um tom ameno, com Primeiro Andar.

Para quebrar a melancolia, o grupo decidiu investir em um clima mais festivo. Com direito a serpentina rosa em cima do palco, cantou Tenha Dó, Descoberta e Deixa o Verão, três canções mais agitadas.

A descontração durou pouco, e logo o show voltou a mergulhar na sofrência, com De Onde Vem a Calmae Conversa de Botas Batidas. Neste momento, Camelo convidou plateia a cantar o refrão e foi prontamente atendido. Para encerrar, mais dois socos no estômago: Último Romance e A Flor.

Três minutos depois, a banda voltou ao palco para cantar Adeus Você, a renegada Anna Júlia, Quem Sabe e Pierrot, que encerra o show em clima de festa - assim como foi na apresentação de 2012, quando a banda se apresentou em São Paulo no Espaço das Américas.

A missão de resumir quatro álbuns de sucesso, lançados entre 1999 e 2005, não é fácil. Mesmo assim, a banda fez um show farto e pareceu não desapontar os fãs mais exigentes.

No entanto, para os menos fundamentalistas, a apresentação pareceu um tanto burocrática, com pouco envolvimento ou empatia dos músicos, num deja'vù do que foi a turnê de 2012.

Não que fosse esperado que os músicos cantassem hits de seus projetos pessoais, como a Banda do Mar, no caso de Camelo, ou mesmo Tuyo, música interpretada por Amarante na abertura da série Narcos, da Netflix.

Não era o espaço para isso, definitivamente. De qualquer forma, faltaram surpresas e mesmo um clímax.

Para quem quiser conferir com os próprios olhos, a banda faz um show extra neste domingo, no Espaço das Américas, às 20h30. Uma terceira chance será no Rio de Janeiro, nos dias 30 e 31 deste mês, no Jockey Club.

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