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Novo estudo confirma uma verdade deprimente sobre nomes e preconceito racial

23/10/2015 17:20 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
UCLA

Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) descobriram que as pessoas imaginavam os homens com nomes estereotipados como de "negros" como Jamal ou DeShawn como maiores e mais violentos se comparados com os homens de nomes estereopados como "brancos".

Os estudantes com nomes que “parecem de negros” tendem a ser rotulados como encrenqueiros pelos professores. Candidatos a um emprego com tais nomes têm menos chance do que seus pares que têm nomes que “parecem de brancos”, de serem chamados para entrevistas.

Quando os moradores com nomes que “parecem de negros” entram em contato com o governo local buscando informações sobre escolas ou bibliotecas, eles têm uma chance menor de receber resposta.

Para piorar essa coletânea de resultados problemáticos aparece um novo e perturbador estudo, publicado quinta-feira no jornal Evolution and Human Behavior.

O estudo, realizado com participantes em sua maioria brancos, mostra que os homens com nomes que “parecem de negros” são mais propensos a serem imaginados como pessoas grandes, perigosas e violentas do que aqueles com nomes que estereotipicamente “parecem de brancos”.

O Dr. Colin Holbrook, pesquisador científico do UCLA Center for Behavior, Evolution, and Culture e principal autor do estudo, disse que "nunca ficou tão perturbado" com seus próprios dados.

"A amostra dos participantes, embora levemente de esquerda ou de centro, politicamente, atribuiu automaticamente a violência aos indivíduos baseando-se unicamente no fato deles terem nomes como Darnell ou Juan; enquanto nomes como Connor automaticamente causaram expectativa de prestígio e status", disse Holbrook ao The Huffington Post em um e-mail.

"Esse resultado parece claramente refletir o medo que nossa sociedade tem dos negros e latinos, o que é irônico e perturbador já que frequentemente são eles as vítimas de violência —precisamente porque as pessoas têm medo deles."

Para o estudo, os pesquisadores conduziram uma série de experimentos que envolviam cerca de 1.500 adultos, em sua maioria brancos.

No primeiro experimento, os participantes tinham que ler uma de duas histórias praticamente idênticas sobre um personagem principal que se esbarrava com um homem em um bar e o homem com raiva retrucava. "Olhe para onde anda, seu idiota!"

Em uma das versões da história, o personagem tinha um desses nomes: Jamal, DeShawn ou Darnell. Em uma outra versão, o nome do personagem era Connor, Wyatt ou Garrett.

No segundo experimento, a mesma história foi lida, mas dessa vez o personagem principal foi descrito ou como um aluno de graduação bem-sucedido ou como um homem de negócios, ou ainda, alguém condenado por agressão.

Nos dois experimentos, os participantes tinham que relatar suas impressões do personagem principal, sua altura, postura, status social e agressividade, entre outras características.

Os pesquisadores descobriram que Jamal, DeShawn ou Darnell foram considerados inevitavelmente maiores e mais agressivos do que Connor, Wyatt ou Garrett.

"Esse resultado parece claramente refletir o medo que nossa sociedade tem dos negros e latinos, o que é irônico e perturbador já que frequentemente são eles as vítimas de violência — precisamente porque as pessoas têm medo deles".

--Dr. Colin Holbrook, principal autor do estudo

"Essencialmente, o sistema representacional do cérebro tem um interruptor que funciona de forma que o tamanho possa ser usado para representar tanto uma ameaça quanto um status social", disse o Dr. Daniel Fessler, diretor do centro da UCLA e coautor do estudo, em um comunicado escrito.

"Entretanto, aparentemente porque os estereótipos de que homens negros são mais perigosos estão profundamente enraizados em nós, é bem difícil para os nossos participantes virarem o interruptor quando pensam sobre homens negros. Para os participantes do estudo que avaliavam personagens negros, perigoso é o mesmo que grande e grande é o mesmo que perigoso, e ponto."

De fato, quanto maior o tamanho do personagem com nome que “parece de negros”, menor era o seu sucesso financeiro e status social imaginado. Ele também era considerado mais violento. Por outro lado, para personagens com nomes que “parecem de brancos”, ser maior correspondia a um maior status.

"A descoberta surpreendente foi a diferença entre personagens brancos e negros com relação à violência e ao status", disse Holbrook no e-mail.

"De forma simples, os personagens brancos com nomes como Connor ou Garrett poderiam ser imaginados como sendo um tanto violentos, mas isso não diminuía (ou afetava) o prestígio social que se imaginava que eles tivessem", disse.

"Em contrapartida, se os personagens negros com nomes como Darnell ou DeShawn eram imaginados tendo um temperamento difícil, isso era bem incompatível com o status que se imaginava que eles tivessem na sociedade.

Nós inicialmente esperávamos que uma tendência à violência diminuísse o status atribuído aos personagens brancos, mas não foi o caso".

Em um terceiro experimento, os pesquisadores desenvolveram comparações similares com nomes latinos e asiáticos.

A maioria dos participantes imaginava os membros do primeiro grupo maiores, mais violentos e com menor status socioeconômico, reportou o jornal New York Post.

Um estudo após outro parece mostrar que as pessoas com nomes que “parecem” latinos ou negros são frequentemente vítimas de discriminação. O que pode ser feito para combater esses estereótipos racistas?

"O primeiro passo é termos consciência dos preconceitos que mantemos", disse Holbrook.

"Devemos aceitar que, provavelmente, imensas quantidades de estereótipos negativos e inconscientes sejam padronizadas em nossas mentes. Saber que os estereótipos preconceituosos estão integrados dentro de nós pode nos ajudar a controlar se permitimos ou não que eles afetem a forma como tratamos as pessoas que podemos ver como diferentes."

(Tradução: Simone Palma)

Este artigo foi originalmente publicado pelo Huffington Post e traduzido do inglês.

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