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23/10/2015 20:46 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Europeus querem construir 'aldeia internacional' na Lua

John Lund/Stephanie Roeser via Getty Images
Earth and moon in space

A Agência Espacial Europeia (ESA) quer construir uma audaciosa "aldeia lunar" internacional, que seria edificada por robôs e permitiria o retorno do homem ao satélite após décadas de ausência - a última viagem até lá aconteceu em 1972.

Johann-Dietrich Woerner, o novo diretor-geral da ESA, defendeu sua proposta diante dos cientistas reunidos durante o 66º Congresso Internacional de Astronáutica (IAC, na sigla em inglês), organizado em Jerusalém na última semana.

O projeto já havia sido mencionado por Woerner em entrevista à rede britânica BBC, pouco após ser empossado, em julho.

"A expressão 'Aldeia Lunar' não quer dizer que vamos construir na Lua um povoado com escolas, igrejas, casas", explicou Franco Bonacina, porta-voz da ESA, à agência France-Presse.

"É um conceito que prevê uma participação internacional para realizar missões diversas e variadas na Lua, talvez no lado escuro". As instalações não ficariam concentradas em um único local, mas poderiam se espalhar por toda a superfície do satélite.

Apesar do anúncio, ainda não há nenhum documento que descreva os detalhes do programa, nem lançamento oficial de uma missão com o objetivo começar as construções.

Base lunar

Woerner, que foi chefe da Agência Espacial Alemã, parte da constatação de que a aventura da Estação Espacial Internacional (ISS) lançada em 1988 deve ser concluída até 2024.

A ideia da ESA é reunir a comunidade científica internacional e pensar nas próximas missões - elas poderiam incluir a construção de uma base na Lua que serviria como apoio para viagens mais distantes pelo espaço.

De acordo com Bonacina, a China, que não participa na Estação Espacial Internacional, mas tem um programa lunar ambicioso, "seria bem-vinda".

Desde que o homem deu seu primeiro passo na Lua, em 21 de julho de 1969, durante o programa americano Apollo, detalhes do satélite começaram a ser conhecidos pelos astrônomos.

A partir dos anos 1990, várias sondas foram enviadas ao redor da Lua, incluindo a europeia SMART1, em 2003. O objetivo era estudar a superfície e composição da Lua.

Segundo Bernard Foing, principal pesquisador da missão SMART1 e diretor do Grupo Internacional para a Exploração Lunar (ILEWG, na sigla em iglês), a construção da base no satélite seria um plano progressivo, que se iniciaria com missões enviadas para a órbita da Lua.

"Haveria uma etapa de aldeia robótica. Depois uma etapa de estação habitada. E isso também nos permitirá preparar expedições ainda mais distantes", disse à agência France-Presse.

Segundo ele, um marco importante seria a missão Orion, da Nasa, da qual a ESA participa. A previsão é que entre 2021 e 2023, a cápsula transporte quatro astronautas ao redor da Lua - o objetivo final é levar humanos para Marte.

A ESA colabora também com a missão russa Lua 27, prevista para 2020. O projeto prevê o envio de uma sonda para explorar as regiões polares da Lua, onde há depósitos de gelo.

"No polo Sul localizamos locais que contêm gelo no subsolo, regiões muito bem iluminadas e oferecem uma boa possibilidade de comunicação", disse Foing.

De acordo com a ESA, água e comunicação são os ingredientes fundamentais para a instalação de uma base habitada no espaço.

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