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Documentário revela cura revolucionária para cegueira em comunidades pobres

23/10/2015 18:51 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Embora passem todos os dias lado a lado, Durga e Manisara não se veem há mais de 15 anos.

Os dois, que são casados e vivem nas montanhas do Nepal, sofreram uma deterioração da visão nas últimas décadas e agora só conseguem distinguir mudanças na luz, mas não a presença de formas próximas.

“Eu antes sabia como eram os rostos dos meus filhos e netos. Mas, agora, não reconheço ninguém”, diz Manisara em um documentário intitulado Open Your Eyes (Abra Seus Olhos).

Ela aponta para a neta espevitada aninhada em seu colo. “Talvez os dedos de seus pés sejam iguais aos meus. Quando sinto seus dedos e a sola de seu pé, parecem com os meus. Em breve saberei.”

Manisara e seu marido, infelizmente, não casos anormais no vilarejo onde vivem, e em outros como esse espalhados pelo mundo. Quando vemos seus olhos de perto, é possível notar que sua íris colorida é coberta por uma capa branca leitosa.

A cegueira deles é causada pela catarata — uma doença curável que causa a perda de visão em comunidades pobres mundialmente.

Na verdade, de acordo com o documentário, dirigido pela cineasta Irene Taylor Brodsky, indicada uma vez ao Oscar, 90% dos afetados por catarata vivem nos países mais pobres do mundo.

Mas a enxurrada de fatos inquietantes listados no começo do filme não reflete apenas estatísticas desencorajadoras.

Embora o custo da cura da cegueira causada pela catarata girasse em torno de US$ 500 (cerca de R$ 2 mil), agora está disponível pelo preço de uma xícara de café.

casal

“Pode soar como clichê, mas realmente acontece”, disse Brodsky em uma entrevista ao The Huffington Post. “Aqui temos um problema que podemos resolver!

Muitas vezes os documentários jogam luz sobre questões prementes de nosso tempo, mas as respostas nem sempre são óbvias. Meu filme mostra como uma cirurgia relativamente simples de seis minutos [...] pode trazer a vida de alguém de volta.”

Brodsky tomou conhecimento pela primeira vez sobre o poder da cirurgia para a cura da cegueira nos anos 90, quando passou a maior parte do tempo morando no Nepal.

Lá, conheceu um cirurgião nepalês a quem ela acompanhou pelos Himalaias enquanto ele realizava as cirurgias documentadas no filme.

Na época, a cineasta já estava interessada em saber como a ausência de um sentido impactava a vida de um indivíduo: tanto seu pai quanto sua mãe são surdos, assim como seu filho; por isso havia sentido o problema na pele.

“Fazer um filme sobre a cegueira me inspirou, porque é tão incapacitante e, ainda assim, pode ser curada muito facilmente”, disse Brodsky.

“Há 39 milhões de pessoas cegas no mundo todo, mas que não deveriam ser. Focando em uma única família, encontrei enorme sofrimento e bondade.”

Antes de encontrar o casal que seria protagonista de Open Your Eyes, a cineasta teve contato com uma série de potenciais pacientes que não tinham oportunidade de fazer a cirurgia.

“Estavam muito frágeis para sair de casa, ou simplesmente não tinham ninguém que pudesse levá-los ao hospital”, disse.

E, sem sombra de dúvidas, a caminhada que os pacientes precisam enfrentar ao sair de suas cidades montanhosas até Palpa, onde a cirurgia é realizada, é árdua.

O procedimento, criado pelo médico Larry Brilliant, é comparado à substituição de papel fotográfico amarelado e gratuito para os que não podem pagar, mas nem todos se sentem preparados para fazer a viagem.

Brodsky acompanhou Durga e Manisara por caminhos estreitos e estradas sinuosas, onde Manisara olhava distraidamente pela janela do carro.

“Ficarei feliz em ver o mundo outra vez”, disse Manisara antes da cirurgia grátis.

Observá-la reunindo-se com a família e com o marido, o qual ela sentia, mas não tocava por mais de uma década, é uma cena que corta o coração.

“Meus filmes sempre foram motivados pelos personagens”, disse Brodsky. “Acho que vemos filmes com nossa cabeça e nosso coração, mas personagens fortes levam a história direto ao nosso coração.”

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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