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Chile realiza suas primeiras uniões civis de casais homossexuais

23/10/2015 09:36 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
MARTIN BERNETTI via Getty Images
Roxana Ortiz (L) and Virginia Gomez kiss each other after their Civil Marriage ceremony at the Registry Office in Santiago on Octubre 22, 2015. The Chilean government launched a campaign Tuesday to promote a new civil union law that will go into effect Thursday and apply to both heterosexual and homosexual couples. The law, long-sought by advocacy groups, is seen as a first step towards allowing gay marriage in the heavily Catholic country. AFP PHOTO / MARTIN BERNETTI (Photo credit should read MARTIN BERNETTI/AFP/Getty Images)

A espanhola Virginia Gómez e a chilena Roxana Ortiz se casaram nesta quinta-feira (22) em Santiago e se tornaram assim o primeiro casal gay a legalizar sua união no Chile.

Foi a primeira das mais de 150 cerimônias realizadas nesta quinta em todo o país, com base no Acordo de União Civil (AUC), que foi promulgado em 13 de abril e entrou ontem em vigor.

"Estou super emocionada, não só porque estou fazendo parte de um momento histórico deste país que me acolheu com tanto carinho, mas porque volto a recuperar tudo o que perdi quando cheguei ao Chile", explicou Virginia aos jornalistas após carimbar o registro no cartório da capital chilena. Elas já tinham se casado legalmente na Espanha e têm uma filha em comum.

A lei de Acordo de União Civil regula pela primeira vez no Chile a união legal de pessoas que não estão casadas, sejam ou não do mesmo sexo. A norma foi promulgada no primeiro semestre pela presidente do Chile, Michelle Bachelet.

A vigência do acordo é um "marco histórico" para as organizações que lutam pelos direitos das minorias sexuais em um país conservador como o Chile, que só aprovou o divórcio em 2004 (no Brasil, por exemplo, o divórcio é permitido desde 1977).

"É um momento histórico emocionante. Dedicamos a todos os casais homoafetivos que não conseguiram estar vivos para desfrutar os padrões básicos de igualdade", assinalou o líder do Movimiento de Integración y Liberación Homosexual (Movilh), Rolando Jiménez.

"Voltar a dizer 'sim, eu aceito' foi como vivê-lo pela primeira vez ou até melhor", explicou Virgínia, que acrescentou que um dos temas que mais preocupava o casal era o da custódia de sua filha de 14 anos, caso acontecesse algo a Roxana, a mãe biológica. "Ela tem 14 anos, ia ficar sozinha, ia perder todos os direitos. Qualquer pessoa teria mais direitos sobre ela do que eu e agora isso mudou", explicou.

"A grande notícia deste dia histórico é que, a partir de hoje, o Estado chileno reconhece que os casais do mesmo sexo são uma família. É uma emoção indescritível", disse o presidente-executivo de Fundación Iguales, Luis Larrain.

O primeiro projeto da lei que pretendia regulamentar a convivência entre casais do mesmo sexo entrou no Congresso há 12 anos. O Acordo de União Civil (AUC), originalmente denominado Acordo de Vida em Casal (AVP), foi uma das promessas do governo de Sebastián Piñera, que legislou de 2010 a 2014. No entanto, a falta de respaldo à iniciativa por parte da própria coalizão de direita que apoiava o líder impediu que esta legislação avançasse.

Veja as fotos:

Casamento gay no Chile


(Com EFE)

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