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Entre graduados, brancos ainda ganham 47% mais que negros.

21/10/2015 16:20 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
AFP via Getty Images
Brazilian Supreme Court minister Joaquim Barbosa, takes part in the opening of the trial, known as 'mensalao', in Brasilia, Brazil, on August 02, 2012. Brazil's biggest bribery trial gets under way here Thursday, with 38 former party and government officials facing vote-buying charges in a case that could tarnish popular ex-president Luiz Inacio Lula da Silva. AFP PHOTO/Pedro LADEIRA (Photo credit should read PEDRO LADEIRA/AFP/GettyImages)

A disparidade salarial entre raças ainda é um realidade no Brasil. Para cada 100 reais ganhos por trabalhadores brancos com ensino superior, um negro graduado ganha 67,58 reais.

A média de salário entre negros formados é de R$ 3.777,39 contra R$ 5589,25 de brancos, quantia 47% maior.

A informação é da pesquisa Características Do Emprego Formal da Relação Anual De Informações Sociais (Rais) 2014, divulgada pelo Ministério do Trabalho.

Para a população identificada como parda, a diferença é um pouco menor: R$ 72,35 para cada R$ 100 entre brancos.

Os dados mostram também que, quanto mais capacitado, mais desvantagem o negro ou pardo tem em relação ao branco quando o assunto é o dividendo ao fim do mês.

A menor diferença de brancos para negros, portanto, está entre analfabetos: a média salarial de brancos que não sabem ler ou escrever é de R$ 1.249,35 , enquanto para brancos é de R$ 1.144,48 (R$ 91,61 para cada 100).

Negros ou pardos ganham cerca de 90% do salário de brancos em todas as classificações de estudo mais baixas, até o ensino fundamental completo. Dali em diante que a diferença cresce. Quando entram na universidade, a relação chega a ficar abaixo dos 80%.

Ao completar o ensino superior, o salário de todos dão um salto, mas ele é mais expressivo entre brancos. A média salarial pula de R$ 2.719,98 para os R$ 5.589,25 — aumento de 105%. Entre negros, a diferença parte de R$ 2.252,55 para os R$ 3.777,39 — ou 67% a mais.

Na média total, contando todos os graus de instrução, os rendimentos médios dos trabalhadores negros representam 69,58% em relação aos brancos em 2014, enquanto em 2013 eram 70,13%. Veja os dados da evolução abaixo.

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Gráfico de evolução de salários por escolaridade/Fonte: RAIS 2014

Para Ronaldo Barros, chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir) do governo federal, barreiras subjetivas como o racismo ainda fazem com que haja uma presença muito menor de executivos negros, presentes nos altos postos de trabalho, impedindo uma maior remuneração.

“Também há a ausência de negros em cursos superiores que pagam melhor e tem maior nível de formação, caso da medicina, engenharia e direito, por exemplo”, diz.

“A Lei de Cotas nas universidades vem corrigindo lentamente essa presença, mas com três anos, ela não teve tempo de formar as primeiras turmas e colocá-las no mercado. Talvez nos próximos anos tenhamos uma redução dessa diferença.”

Uma pesquisa da Seppir mostra que, em 2003, o número de negros com 12 anos ou mais de estudo, o que mostra presença nas universidades, atingiu 27,6 milhões de pessoas. Em 1993, eram apenas 4,1 milhões — quase sete vezes mais em 20 anos.

Houve junto uma queda da participação de jovens negra de 16 a 24 anos no período, de 28,6% do em 1993 para 19,1% em 2013. Como o desemprego no Brasil era baixo há dois anos, esse índice pode apontar um retardamento voluntário na busca por emprego para estudar por mais tempo.

Ainda assim, a participação dos negros na população economicamente ativa subiu. No ínicio dos anos 90 eram mais de 66 milhões de negros em atividade, enquanto em 2013 chegaram a 103 milhões de pessoas.

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