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Enrolado na Lava Jato, Cunha ganha tempo e rebate Dilma

21/10/2015 01:15 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Montagem/Estadão Conteúdo

Mesmo pressionado para deixar o cargo, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tem conseguido ganhar tempo para permanecer no comando da Casa. A instalação do processo contra ele no Conselho de Ética, prevista inicialmente para a próxima semana, pode ser adiada para novembro.

De acordo com o presidente do colegiado, José Carlos Araújo (PSB-BA), a mudança no prazo ocorre por causa de uma determinação da Mesa Diretora, presidida por Cunha.

“Pelo que me informaram, a primeira sessão foi nesta terça-feira e a segunda na quarta-feira (21). A terceira sessão seria na quinta-feira (22), mas, como é praxe a Mesa convocar uma sessão extraordinária e ela atropelar a ordinária, isso empurra o prazo para a terça-feira (27). Vencido o prazo, marcarei imediatamente uma sessão para escolha do relator. É óbvio que tenho de ter pelo menos 48 horas de antecedência para marcar a sessão e tenho de garantir o quórum.”

Com o processo instalado, Cunha descarta se licenciar da presidência. “Não existe essa figura”, afirmou o parlamentar, que é acusado no processo de quebra do decoro parlamentar. Segundo ele, não há problema em continuar no comando da Casa.

Na terça-feira (20), PPS, DEM e PSDB se posicionaram contra o presidente da Casa. os três partidos disseram reconhecer que as denúncias contra Cunha são "gravíssimas" e que pretendem "acompanhar de perto" o processo por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética. O PSB, que na semana passada abandonou a defesa aberta do impeachment de Dilma, também não acompanhou os líderes da oposição.

Governo

Enquanto segue as atividades normais, o peemedebista volta a artilharia contra a presidente Dilma Rousseff. Cunha comentou declarações feitas pela presidente na Finlândia, em resposta a jornalistas que perguntaram se o governo não está envolvido em esquema de corrupção.

“Eu não sabia que a Petrobras não era do governo”, disse Cunha.

A presidenta havia dito, em entrevista coletiva, que seu governo não está envolvido em nenhum escândalo de corrupção. Perguntada se a Petrobras é uma empresa de seu governo, Dilma respondeu: “não é a empresa Petrobras que está envolvida no escândalo. São pessoas que praticaram corrupção e elas estão presas.”

Denúncias

Cunha já é alvo de denúncia pelo Ministério Público Federal por suspeita de ter recebido propina em esquema na Petrobras, além de um inquérito que apura a existência de contas em seu nome e de familiares no exterior, com base em investigação conduzida pelo Ministério Público da Suíça.

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