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Ele inventou o exame de HIV. Agora, pesquisa vacina para derrotar o vírus

20/10/2015 16:51 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Em 1984, Robert Gallo foi um dos co-autores do estudo que identificou o HIV como causador da Aids. Depois, ele foi o primeiro a desenvolver um exame de sangue que detecta o vírus.

Agora, 31 anos depois, ele e sua equipe do Instituto de Virologia Humana da Universidade de Maryland estão começando a testar em humanos uma vacina contra o HIV potencialmente revolucionária.

Embora outras vacinas se concentrem em cepas específicas do HIV, o tratamento desenvolvido por Gallo tem uma abordagem diferente.

A ideia é bloquear o vírus antes que ele invada as células T (um componente central do sistema imunológico) e entre em mutação – quando isso acontece, o HIV se torna invisível para o sistema imune e fica muito mais difícil de tratar.

Se o tratamento for bem sucedido, a vacina pode oferecer proteção contra uma grande classe de vírus conhecidos coletivamente como “HIV-1”.

robert gallo

Robert Gallo pode ter encontrado a vacina que derrota o HIV.

Nossa candidata a vacina contra o HIV/Aids é desenhada para se conectar com o vírus no momento da infecção, quando várias cepas do HIV podem ser neutralizadas”, disse Gallo num comunicado.

“Acreditamos que esse mecanismo seja um pré-requisito importante para uma vacina preventiva eficaz contra o HIV.”

Gallo disse à revista Science que a vacina vem sendo desenvolvida há 15 anos.

A primeira fase dos testes vai durar cerca de um ano e tem o objetivo de avaliar a segurança básica da droga nos humanos. Participam dos testes 60 candidatos.

o vírus hiv 1 os pontos verdes

O vírus HIV-1 (os pontos verdes na foto) brotam na superfície de uma célula.

Se o tratamento passar por essa fase inicial, inicia-se a fase 2, na qual os pesquisadores vão avaliar a eficácia contra o HIV.

Depois, começaria a fase 3, muito mais ampla e de anos de duração. Só então a vacina seria investigada pela Food and Drug Administration (FDA), o órgão do governo americano que regulamenta remédios, para eventual aprovação e uso pelo público.

Ou seja: por mais promissora que seja a vacina (e isso ainda não se sabe com certeza), anos podem se passar até que ela seja liberada para uso generalizado.

Ainda assim, é um primeiro passo importante.

“A área passa por um período empolgante, pois há várias abordagens sendo investigadas”, disse ao jornal Baltimore Sun Mitchell Warren, diretor executivo da AVAC, uma entidade global que atua na prevenção do HIV.

“Infelizmente, em 30 anos ainda não sabemos o que será necessário [para haver uma vacina eficiente]. Mas certamente temos ideias melhores das possíveis respostas.”

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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