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Deputado Carlos Giannazi promete sugerir a criação de uma CPI para investigar abusos do McDonald's em São Paulo

19/10/2015 11:58 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Reprodução/Facebook

O deputado Carlos Giannazi (PSol) promete sugerir nos próximos dias a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possíveis violações trabalhistas da rede americana de fast-food McDonald’s no Estado de São Paulo. A medida foi reforçada após uma audiência na Assembleia Legislativa (Alesp) com sindicalistas, representantes do Ministério Público, do Ministério do Trabalho e ex-funcionários da rede.

“O mandato, há tempos, acompanha e vem recebendo denúncias que nos levaram a esta audiência. A maior operação da empresa se dá no território paulista e a Assembleia Legislativa, em face de inúmeros e graves depoimentos tanto dos órgãos oficiais do Trabalho e de funcionários cujo conteúdo remete a situações análogas à escravidão e a infração ao Estatuto da Criança e do Adolescente, deve cumprir seu papel e investigar a empresa”.

Carlos Giannazi organiza audiência na ALESP para apurar denúncias trabalhistas contra o McDonald´s-No dia 16 de...

Posted by Carlos Giannazi on Sexta, 16 de outubro de 2015


Giannazi presidiu a audiência, na qual sindicalistas afirmaram que a exploração de adolescentes pelo McDonald’s é uma constante. “A verdade é que o McDonald’s não quer fazer a coisa certa, porque ele ganha muito mais com as irregularidades trabalhistas que pratica do que fazendo a coisa certa” criticou o presidente do Sinthoresp, Francisco Calasans.


Os sindicalistas acusaram a rede de contratar jovens entre 14 e 17 anos, a maioria de classes sociais mais vulneráveis, expondo-os a trabalhos que põe em risco à segurança e saúde, além de descumprir a legislação do País. Esses adolescentes seriam obrigados a operar chapas e fritadeiras sem proteção necessária, até a limpeza de banheiros e recolhimento de lixo. Os baixos salários, somados ao assédio moral e até sexual seriam outras violações.

‘Humilhações’

Um ex-funcionário do McDonald’s participou da audiência na Alesp e relatou alguns dos abusos que presenciou e sofreu quando era contratado pela rede. “Sempre éramos humilhados na frente dos colegas e dos clientes”, contou o jovem. A situação não é nova e já foi denunciada pelos sindicalistas em outras oportunidades, em uma campanha já apelidada de ‘McBasta’, uma ironia com o nome dos lanches da empresa.

De acordo com a representante do Ministério do Trabalho, Carolina Castro de Almeida, a pasta investiga o McDonald’s há 12 anos e existem 700 autos de infração apenas em 2015. Ela ressaltou que diligências realizadas em São Paulo e em outros Estados mostraram que os direitos dos adolescentes contratados pela empresa não estão sendo respeitados.

O procurador-chefe Erich Vinicius Schramm, do Ministério Público do Trabalho (MPT), comentou que 144 investigações envolvendo a rede estão em andamento em São Paulo, algumas das quais encerradas. Ao dizer que “o MPT está agindo” em defesa dos trabalhadores, o procurador acabou rebatido pela advogada Etel Pantuzo, do departamento jurídico do Sinthoresp, que o McDonald’s não vem cumprindo os termos de ajustamento de conduta (TACs).

Em maio deste ano, em encontro com sindicalistas estrangeiros que denunciam a rede de fast-food em outros países, pelo menos problemas citados no Brasil, o MPT prometeu formar uma força-tarefa para investigar a empresa e seus eventuais abusos contra os trabalhadores. A situação chegou a ser denunciada, em agosto, ao Senado Federal.

Já o McDonald’s já divulgou, em mais de uma oportunidade, que cumpre a legislação brasileira tendo “orgulho de ser a porta de entrada de milhares de jovens no mercado de trabalho” e sendo suas práticas “premiadas e reconhecidas pelo mercado”.

“Nossos funcionários recebem treinamento contínuo, tanto para as funções operacionais, quanto para valores como trabalho em equipe, comunicação, liderança e hospitalidade. Em mais de três décadas de Brasil, a empresa já capacitou mais de 1,5 milhão de pessoas”, divulgou a rede, em nota.

Na Alesp, Giannazi prometeu convocar os representantes do McDonald’s para prestarem esclarecimentos sobre as acusações.

(Com informações da Agência de Notícias da Alesp)

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