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Turquia diz ter progredido em plano sobre imigração mas ainda há desafios

18/10/2015 18:36 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Darko Vojinovic/AP

A Turquia e a União Europeia fizeram progressos em um plano que visa conter o movimento em massa de imigrantes através das fronteiras da Europa, mas várias questões ainda estão em discussão, afirmou o primeiro-ministro da Turquia, Ahmet Davutoglu, após uma reunião com a chanceler alemã, Angela Merkel.

Em uma entrevista coletiva conjunta com Merkel neste domingo (18), Ahmet Davutoglu reiterou a posição da Turquia de que uma zona de segurança precisa ser criada na Síria para ajudar a impedir o fluxo de refugiados, acrescentando que um novo conflito em torno da cidade síria de Alepo aumentou o risco de um fluxo adicional de refugiados.

Merkel chegou em Istambul para discutir um plano da União Europeia sobre a crise imigratória em momento que milhares de novas chegadas por dia estão pressionado a capacidade da Alemanha para acolher refugiados e imigrantes.

Segundo o plano, os países europeus devem oferecer ajuda e concessões para a Turquia em troca de medidas para deter o fluxo de imigração irregular. Os incentivos envolveriam um pacote de ajuda de, pelo menos, 3 bilhões de euros (US$ 3,4 bilhões) para ajudar a Turquia a sediar os mais de dois milhões de refugiados que estão atualmente no país e facilitar o acesso aos vistos da UE para os cidadãos turcos, disseram autoridades. Outro benefício seria reanimar as negociações sobre uma integração à União Europeia.

Por outro lado, a Turquia deve melhorar os seus procedimentos de asilo e de documentação, além de reforçar os números de guarda de fronteiras e costa. "Eu aprecio o progresso que tem sido feito no plano de ação. No entanto, há várias questões que ainda precisam ser discutidas e resolvidas", disse Davutoglu na entrevista coletiva.

"Estamos preparados para trabalhar em conjunto contra a imigração ilegal e contra traficantes de pessoas que exploram grupos indefesos", disse Davutoglu. "(Mas) a cooperação é também necessária para uma solução na Síria de modo que a imigração seja interrompida em sua fonte".

Merkel, que está sob crescente pressão na Alemanha para reduzir o fluxo de entrada de imigrantes, disse que os dois líderes concordaram que nenhum país pode arcar com o ônus de refugiados sozinho. "O trabalho tem de ser compartilhado e a União Europeia tem um trabalho aqui". Ela salientou a vontade da Alemanha em apoiar os esforços da UE para facilitar a concessão de vistos para os turcos e deixou claro que espera uma implementação mais rápida de um acordo para levar de volta os imigrantes de países terceiros.

Merkel reconheceu que "a Turquia tem recebido pouco apoio internacional até agora para um grande esforço de cuidar de refugiados" da Síria e do Iraque, e ressaltou a intenção da UE de proporcionar maior apoio financeiro. Ela disse que "isso é sobre o dinheiro adicional, tal como o entendemos; ainda temos que falar sobre os detalhes, é claro".

Eslovênia alerta para falta de capacidade em receber imigrantes

Autoridades eslovenas advertiram neste domingo que a capacidade do país em lidar com o aumento do fluxo de imigrantes está sob pressão. O fechamento da fronteira entre a Hungria e a Croácia levou milhares de pessoas a procurar por nova rota, com objetivo de chegar no norte da Europa. Cerca de 3,3 mil migrantes entraram na Eslovênia no sábado (17), dos quais 600 foram recebidos pela Áustria, disse Srecko Sestan, o chefe da força de proteção civil da Eslovênia.

Autoridades disseram que a Eslovênia estava lidando com o aumento do fluxo, mas que dependia da possibilidade de os migrantes passarem pela Áustria. Em entrevista coletiva, o secretário de Estado do Ministério do Interior esloveno Bostjan Sefic afirmou que o país é capaz de lidar com cerca de 2,5 mil migrantes por dia, mas recebeu um pedido da vizinha Croácia para permitir a entrada de 5 mil imigrantes.

Ele também alertou sobre relatos de que 15 mil a 20 mil pessoas estavam a caminho da Grécia para os Balcãs Ocidentais. Caso os números de imigrantes subam acentuadamente, "nesse caso, eu gostaria de salientar que não podemos falar de um Estado que funcione sem problemas", disse Sefic. O governo esloveno advertiu no sábado que poderia deslocar os militares para suas fronteiras, com o objetivo de ajudar a polícia a gerenciar o fluxo de imigrantes.

Enquanto isso, nem um único imigrante entrou na Hungria a partir de Croácia desde o fechamento da fronteira, no início de sábado, para pessoas sem documentos de viagem necessários e vistos, de acordo com o chefe do conselho de segurança Gyorgy Bakondi.

Para conter eventual entrada dos imigrantes na Hungria a partir da Eslovênia, a Hungria restabeleceu controles temporários nas fronteiras no seu curto trecho de fronteira com a Eslovênia, disse o governo da Hungria, acrescentando que notificou o Ministério de Relações Exteriores da Eslovênia e a Comissão Europeia sobre a medida.

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