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18/10/2015 15:17 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Estudante passa em curso de Medicina na Argentina e, ao invés de parabéns, é alvo de manifestações racistas (VÍDEO)

Medicina, mais que um sonho um Ideal.#EuCurtoADecisão #MedUBA2016

Posted by Diogo Medeiros on Terça, 22 de setembro de 2015

Nascido em Nova Iguaçu (RJ), na Baixada Fluminense, o estudante Diogo Medeiros, de 24 anos, conseguiu uma conquista que parecia distante: a possibilidade de cursar Medicina, e ainda mais fora do Brasil, mais precisamente na Universidade de Buenos Aires, na Argentina. Contudo, ao invés de palmas de todos, ele recebeu racismo gratuito de uma minoria nas redes sociais.

Na última terça-feira (13), Medeiros postou uma mensagem no grupo Vestibulando de Medicina, formado por jovens de todo o Brasil, no qual repassou uma mensagem de apoio a todos aqueles que prestarão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nesta semana. “Não importa quem você é, apenas tenha a certeza que você pode ser quem deseja. Basta acreditar em seu potencial”, escreveu.

De acordo com informações do jornal O Dia, o post do jovem negro da Baixada Fluminense foi alvo de vários deploráveis comentários racistas:

“Ué, não sabia que negro podia ser médico, quem se arriscaria em uma consulta?”

“Só porque o cara é feio e da cor de fita isolante ele não pode ser feliz?”

“Se não tivesse cota duvido que conseguiria”

“Temos que acabar com o preconceito entre negros e humanos”.

Ao jornal O Dia, Medeiros afirmou que iria registrar queixa à Delegacia de Repressão a Crimes de Informática. “Até pouco tempo atrás era mais comum, mas em pleno século 21 ainda existir isso é absurdo. Estou muito constrangido”, afirmou o estudante, que já está morando em Buenos Aires, após uma conquista que parecia apenas um sonho.

O desejo de ser médico veio da infância, quando Medeiros viu a mãe morrer no Sistema Único de Saúde (SUS). “Um dia quero ter uma clínica para atender pessoas sem condições financeiras”, explicou o jovem.

A postagem polêmica acabou apagada pelos moderadores da página. Mas um estudante fez um comentário preciso e direto sobre a situação vivida por Medeiros no Facebook, ao tentar simplesmente encorajar outros a seguirem acreditando em seus sonhos:

“Como futuros médicos vão atender pacientes sendo racistas?”

O racismo no ambiente estudantil, sobretudo universitário, é uma realidade, como mostraram incidentes na Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, e outros relatados à CPI dos Trotes, investigação realizada por deputados paulistas acerca de violações de direitos humanos no ambiente universitário do Estado.

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