NOTÍCIAS

Dilma comenta denúncias contra Eduardo Cunha: 'Eu lamento que seja um brasileiro'

18/10/2015 15:56 -02 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
André Dusek/Estadão Conteúdo

A presidente Dilma Rousseff afirmou três vezes neste domingo (18), em Estocolmo, na Suécia, que "lamenta" que as denúncias envolvendo o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), envolvam um brasileiro. Segundo ela, não houve acordo entre os chefes dos dois poderes, Executivo e Legislativo, por mais estabilidade política, mas acusou "a oposição" de ter firmado um entendimento com Cunha.

Dilma está na Suécia na primeira etapa de uma turnê pelo norte da Europa que envolve ainda a Finlândia. Na tarde deste domingo, após se encontrar com os monarcas da Suécia, o rei Carlos XVI e a rainha Silvia, a presidente concedeu sua primeira entrevista. Questionada pelo Estado sobre se considera pertinente firmar um acordo com Eduardo Cunha que garanta a trégua na tramitação do impeachment na Câmara, Dilma descartou a hipótese.

"Eu acho fantástico essa conversa de que o governo está fazendo acordo com quem quer que seja", disse ela, atacando seus opositores. "O acordo de Eduardo Cunha não é com o governo, era com a oposição. Era público e notório. Até na nota aparece", disse ela. A presidente se referia a um comunicado emitido em 8 de outubro pelas direções do PSDB, DEM, PPS e PSB, no qual a oposição pediu o "afastamento do cargo" do presidente da Câmara para que ele pudesse "exercer seu direito constitucional à ampla defesa". A nota foi interpretada como fraca, uma prova de que a oposição não deseja de fato sua renúncia.

Dilma disse que não comentaria as denúncias de que Cunha tem contas não declaradas na Suíça, nas quais teria recebido propinas. Mas, indagada sobre a repercussão internacional do escândalo de corrupção envolvendo o presidente da Câmara, a presidente afirmou três vezes: "Eu lamento que seja um brasileiro".

Sobre se a crise política estaria menos intensa após as denúncias contra Cunha, a presidente afirmou não ver "grandes alterações ao longo desse semestre", mesmo depois da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que derrubou a interpretação do presidente da Câmara sobre o rito processual de um eventual processo de impeachment. "Nós ainda temos de alcançar uma estabilidade política baseada em um acordo no sentido de que os interesses partidários, pessoais, de cada corrente, têm de ser colocados abaixo dos interesses do País", argumentou.

Indagada sobre a qual "acordo" se referia, a presidente respondeu: "Com toda a sociedade".

'Levy fica'

Dilma Rousseff reiterou ainda, na mesma entrevista coletiva, que a permanência de Joaquim Levy no Ministério da Fazenda está garantida. Ela classificou os rumores sobre sua saída do governo de 'especulação' e disse que a opinião do presidente do PT (Rui Falcão que, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, disse que Levy deve deixar o cargo se não mudar os rumos da política econômica) não é a opinião do governo. "O presidente do PT pode ter a opinião que ele quiser. Mas não é a opinião do governo", disse Dilma, emendando: "Se eu disse que não é a opinião do governo, o ministro Levy fica."

A garantia de que Levy permanece na equipe econômica, no comando do Ministério da Fazenda, foi feita em sua primeira entrevista concedida após a reunião realizada na sexta-feira, em Brasília, quando cresceram os rumores sobre a suposta saída do ministro. Irritada com as perguntas, Dilma quis colocar um ponto final nas questões sobre o tema. "Ele (Levy) não está saindo do governo. Ponto. Eu não trato mais desse assunto", afirmou. "Qualquer coisa além disso está ficando especulativo. Vocês não farão especulação a respeito do ministro da Fazenda comigo."

A presidente disse também que o assunto não foi discutido na reunião realizada na sexta-feira, em Brasília, com Levy, o chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, e o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa. "O que nós conversamos na sexta-feira foi sobre quais serão os próximos passos e qual é a nossa estratégia no sentido de que se aprovem as principais medidas (do pacote que deverá promover) do equilíbrio fiscal", reafirmou, assegurando que "não se tocou no assunto" demissão.

Dilma disse ainda que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não solicitou a substituição do ministro da Fazenda. O nome do ex-presidente do Banco Central Henrique Meirelles seria o seu favorito. "Ele nunca me pediu nada (a respeito). O presidente Lula, quando quer alguma coisa, não tem o menor constrangimento de falar comigo."

Demonstrando impaciência, a presidente ainda voltou a criticar as "especulações" em torno dos rumores da eventual saída do ministro Joaquim Levy. "As pessoas que estão no meu ministério hoje, eu espero que vão até o final do meu mandato. É essa a visão geral", argumentou. "O resto é tentativa errada de especulação, porque cria instabilidade, cria tumulto."

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS:


LEIA TAMBÉM

- ASSISTA: Líder do PSDB no Senado diz que FHC também fez 'pedaladas fiscais'

- PF inicia investigação sobre suposto crime eleitoral de Dilma em 2014

- Operador do PMDB diz que pagou R$ 2 milhões para nora de Lula

- Juristas registram pedido de impeachment 'que não pode ser rejeitado'