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Após citar Cunha, lobista Fernando Baiano envolve Renan Calheiros e líder do PT no Senado em corrupção da Petrobras

17/10/2015 13:43 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
Montagem/Estadão Conteúdo

O lobista Fernando Soares, o Fernando Baiano, citou em sua delação premiada à Procuradoria-Geral da República (PGR), que investiga o envolvimento de políticos no esquema de corrupção da Petrobras na Operação Lava Jato, os nomes de mais parlamentares que teria recebido recursos ilícitos. Baiano disse ter feito pagamentos ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e ao líder do PT no Senado, Delcídio Amaral (MS).

O delator – que foi um dos citar anteriormente o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), como outro beneficiário – disse que Delcídio recebeu US$ 1 milhão ou US$ 1,5 milhão, dinheiro fruto de propinas pagas com recursos desviados da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos. Um inquérito contra o petista foi arquivado em março pelo Supremo Tribunal Federal (STF), justamente por um suposto envolvimento dele com Pasadena.

Naquela oportunidade, o STF não viu razões para apurar a citação de Delcídio feita pelo ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, que dizia “ter ouvido falar” que o petista teria recebido propina quando dirigiu o setor de Gás e Energia da estatal, entre 2000 e 2002. Agora Baiano disse que Delcídio recebeu o dinheiro para pagar a sua campanha nas eleições para o governo de Mato Grosso do Sul, em 2006.

Ainda de acordo com Baiano, Delcídio recebeu propina por ter endossado a indicação de Nestor Cerveró – este já condenado na Lava Jato – para a direção internacional da Petrobras.

O Tribunal de Contas da União (TCU) já apontou que a compra da refinaria de Pasadena gerou um prejuízo de US$ 790 milhões aos cofres públicos.

Em sua página no Facebook, o líder do PT negou todas as acusações, as quais considerou um ‘absurdo’ e afirmou que conheceu Baiano na década de 90, quando foi apresentado a ele pelo empresário Gregório Marin Preciado.

Em respeito à verdade, transcrevo a íntegra da minha resposta que o Jornal Nacional simplesmente ignorou na matéria onde...

Posted by Delcidio do Amaral on Sexta, 16 de outubro de 2015


Renan e Barbalho

Além de Delcídio, Fernando Baiano mencionou que Renan Calheiros, o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) e o ex-ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau – indicado na época pelo PMDB – também foram beneficiários do esquema de corrupção. De acordo com informações do Jornal Nacional, da Rede Globo, US$ 4 milhões foram desviados de um contrato de navios-sonda para pagamentos que chegaram posteriormente a US$ 6 milhões.

O delator comentou que as operações foram completadas pelo lobista paraense Jorge Luz, entre 2006 e 2008.

Segundo reportagem deste sábado (17) do jornal Folha de S. Paulo, Renan negou todas as acusações, dizendo por meio de nota que nunca autorizou ninguém a falar em seu nome, e que não conhece Fernando Baiano. Ao Jornal Nacional, Barbalho também disse não conhecer o delator e que na época dos fatos narrados não era senador.

Rondeau não foi localizado para expor o seu posicionamento. O ex-ministro de Minas e Energia foi citado em outra investigação que corre no Senado, na CPI do Carf, por supostamente frequentar o escritório de advogados investigados por um amplo esquema de propina que amortizava multas milionárias aplicadas pela Receita Federal - também investigado pela PF na Operação Zelotes.

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