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Patrimônio de Cunha cresceu 214% em 12 anos e há indícios de que contas na Suíça são 'produto de crime', diz PGR

16/10/2015 11:55 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO

A Procuradoria-Geral da República (PGR) divulgou comunicado nesta sexta-feira (16) em que diz haver indícios de que duas contas suíças do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), são ‘produto de crime’. Entre 2002 e 2014, o patrimônio do peemedebista cresceu 214%. O Supremo Tribunal Federal (STF) já autorizou uma nova investigação de Cunha neste caso.

De acordo com a PGR, Cunha era o beneficiário em duas contas mantidas no banco suíço Julius Baer: uma sob o nome da offshore Netherton Investments Pte Ltd., e outra com o nome Kopek, pertencente à esposa do deputado, a jornalista Cláudia Cordeiro Cruz. “A PGR sustenta que há indícios de corrupção e lavagem de dinheiro por parte de Eduardo Cunha e Cláudia Cruz”.

Como prova da titularidade das contas, a PGR diz existir elementos “abundantes e evidentes”. “Há cópias de passaportes - inclusive diplomáticos - do casal, endereço residencial, números de telefones do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto”, comenta.

Ainda segundo a procuradoria, “a documentação enviada pela Suíça permite compreender o esquema”- em referência ao envolvimento de Cunha na Operação Lava Jato –, “ao menos para a instauração de inquérito e a decretação de medidas cautelares”.

Um dos pontos que mais chamou a atenção da PGR diz respeito ao patrimônio de Cunha. Na época da abertura das contas, ele era estimado em US$ 16 milhões – bem distante do mais recente valor declarado pelo presidente da Câmara à Justiça Eleitoral: R$ 1,6 milhão. Entre 2002 (quando Cunha declarou patrimônio de R$ 525.768,00) e 2014, a evolução patrimonial foi de 214%.

“Para o procurador-geral em exercício, há indícios suficientes de que as contas no exterior não foram declaradas e, ao menos em relação a Eduardo Cunha, são produto de crime”, conclui o comunicado, que ainda pede que uma das filhas do deputado, a publicitária Danielle Dytz da Cunha Doctorovich, também seja investigada “por ser detentora de cartão de crédito vinculado à conta Kopek”.

Outras contas investigadas

A PGR explica também que Cunha seria o beneficiário de duas outras contas – Orion SP e Triumph SP –, ambas fechadas pouco depois do início da Lava Jato. A primeira foi abastecida com 1,311 milhão de francos suíços (cerca de US$ 1,38 milhão), valor depositado pela empresa Acona International Investments, que tinha como beneficiário João Augusto Rezende Henriques – este preso em Curitiba por envolvimento na Lava Jato.

“Segundo os registros bancários, um "termo de compromisso" firmado entre a Acona e a Lusitânia Petroleum Ltd, controlada por Idalécio de Oliveira, previu uma taxa de sucesso de 10 milhões de dólares para a Acona desde que a empresa Compagnie Béninoise de Hydrocarbures Sarl (CBH), também controlada por Idalécio de Oliveira, vendesse 50% de suas ações em um campo petrolífero no Benin para a Petrobras Oil e Gas BV, pelo preço de 34,5 milhões de dólares. Tal aquisição de fato aconteceu e foi comprovada por meio de documentos obtidos junto à Petrobras”, diz a PGR.

Ao seguir o caminho dos recursos, os procuradores descobriram que, após o contrato entre a Petrobras e a CBH, foi transferida a quantia de US$ 34,5 milhões da Petrobras à CBH. Dois dias depois, a Lusitânia transferiu US$ 10 milhões de dólares para a Acona. Em seguida, João Henriques transferiu parte desses honorários, no valor de 1,311 milhão de francos suíços, da conta da Acona para a conta Orion SP.

Ainda de acordo com a PGR, uma parte considerável dessa quantia foi transferida da Orion SP para a conta de Netherton Investments e desta para a conta Kopek, em nome de Cláudia Cordeiro Cruz, esposa de Cunha.

Já a conta Triumph SP enviou para a conta em nome de Cláudia Cruz um total de US$ 1,050 milhão. Constam nos documentos em posse da PGR diversas outras transferência cujo beneficiário era Cunha, “em especial contas mantidas no Merril Lynch International, devem compor o mesmo contexto de operações ilícitas”.

Da sua parte, Cunha reforçou um depoimento que deu à CPI da Petrobras, em março deste ano, no qual negou ter contas no exterior ou ter sido beneficiado por qualquer esquema ilícito.

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