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Economia do Pará será a única que não vai encolher em 2015

16/10/2015 10:24 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02
J.Gil/FIickr
Copyright © 2009. J.Gil Photography. All Rights Reserved. ◙ Qualquer meio de reprodução somente perante minha autorização. __________________ <i>O Mercado do Ver-o-Peso é um dos principais cartão postal de Belém do Pará, e na &quot;cheia da maré&quot;, o forte cheiro que é bastante famoso fica ainda mais significativo. Em finais de tarde, é raridade não chover, mas enquanto isso aproveita-se para registrar por ângulos diferentes.</i>

A recessão prevista neste ano próxima de 3% deve se alastrar e derrubar a economia de quase todos os Estados brasileiros.

Segundo previsões do banco Santander, só um não ficará no vermelho: o Pará, que deve fechar o ano com o Produto Interno Bruto (PIB) estagnado. As informações foram publicadas nesta quinta-feira pelo jornal O Globo.

Se a estimativa se concretizar, será a primeira na história - a série do IBGE que mede o PIB começou a ser contabilizada em 1996 - que a economia de todos os Estados registrará desempenho negativo ou zerado.

No estudo, o banco prevê uma recessão de 2,8% no PIB do país em 2015. Os economistas do mercado financeiro ouvidos pelo Banco Central esperam contração de 2,97% e o Fundo Monetário Internacional, de 3%.

Segundo a instituição financeira, as quedas mais acentuadas na atividade econômica devem ser verificadas em Pernambuco (-4%), Amazonas (-3,8%), Goiás (-3,8%), Paraíba (-3,7%) e Tocantins (-3,6%). Para os PIBs de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, foi previsto um recuo de 2,6%, 2,5% e 2,7%, respectivamente.

"A ideia é de que praticamente todos os Estados terão queda no PIB este ano. Recessão de 3% acaba afetando toda a economia. Mesmo regiões antes ganhadoras, como o Centro-Oeste, não conseguirão escapar", avalia o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale.

Fatores específicos de cada Estado também contribuíram para a baixa nas projeções. No caso de Pernambuco, por exemplo, o dado foi influenciado pela paralisação das obras da refinaria de Abreu e Lima, alvo de denúncias da Operação Lava Jato, que empurrou o setor da construção civil a uma queda de 14,1%.

Especialistas também apontam que o Estado sofre com a saída de empresa que receberam benefícios fiscais no ano passado para se instalar na região e fecharam as unidades em 2015.

"Quando você entra numa situação de recessão forte, as filiais daqui são as primeiras a fecharem as portas, porque os custos ficam muito altos. Pernambuco está longe do principal centro consumidor do Brasil, que é São Paulo", afirma Tatiane Menezes, professora de economia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

Os efeitos do desaquecimento da economia são atenuados por dois setores que estão crescendo no cálculo do PIB - indústria extrativa e agropecuária.

O que explica a melhor colocação do Pará, onde a extração de minério responde por 30% da economia. Além disso, a maior parte desse tipo de produto é destinada à exportação, que vem ganhando fôlego nos últimos meses com a escalada do dólar.

"Mesmo com a queda do preço dos minérios no mercado internacional, e apesar da diminuição da receita com vendas por tonelada exportada, o Estado do Pará vem apresentando contínuos superávits comerciais explicados em grande pelo aumento do volume exportado", afirmou, por e-mail, o presidente da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas do Pará (Fapespa).

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