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16/10/2015 12:37 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

CPI do Carf no Senado votará pedido de quebra de sigilos de sobrinho de Augusto Nardes

Montagem/Estadão Conteúdo e Reprodução

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Carf, Ataídes Oliveira (PSDB-TO), confirmou que colocará em votação na próxima semana o pedido de quebra dos sigilos bancário, fiscal e telefônico de Juliano Nardes. Ele é sobrinho do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes e está sendo investigado, segundo a relatora Vanessa Grazziotin (PCdo B-AM), por suposta participação no processo que envolveu a Rede Brasil Sul (RBS), afiliada da Rede Globo no Sul do País, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).

O requerimento para a quebra dos sigilos será formulado pelo senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

A CPI realizou nesta quinta-feira (15) uma acareação entre dois ex-funcionários do escritório de advocacia de José Ricardo da Silva, ex-conselheiro do Carf: Gegliane Bessa, ex-assistente administrativo, e Hugo Borges, responsável por diversas funções, entre elas a de motorista.

Gegliane Bessa confirmou que realizou pagamentos em espécie para Juliano Nardes. O sobrinho do ministro do TCU teria, inclusive, reclamado de que "estaria faltando" dinheiro em um dos repasses, segundo contou a ex-funcionária do escritório de advocacia.

Segundo Vanessa Grazziotin, a comissão tem em seus arquivos uma planilha indicando que, apenas em 2010, os repasses do escritório de advocacia para Juliano Nardes representam cerca de R$ 1 milhão. Nas anotações, também aparece a expressão "tio", que Gegliane não soube informar a que contexto se referia.

A ex-funcionária garantiu não ter tido acesso a nenhum contrato de Juliano Nardes com o escritório e não indicou que tipo de serviço ele prestaria.

Vanessa observou que Augusto Nardes era o "real proprietário" da empresa Planalto Soluções, depois repassada a seu sobrinho. Ela disse achar "muito estranho" que quantias vultosas tenham sido pagas a Juliano Nardes em espécie, considerando-se a possibilidade de haver um contrato formal de prestação de serviços.

Para Ataídes Oliveira, tanto Gegliane Bessa quanto Hugo Borges foram "usados pela quadrilha que comandava o escritório de advocacia".

Outros pagamentos

Os ex-funcionários confirmaram ainda que houve o pagamento em espécie para outros ex-conselheiros do Carf dentro do escritório de advocacia.

Hugo Borges disse também que muitos processos eram decididos na sala de José Ricardo da Silva. Depois, segundo ele, toda a papelada era levada ao Carf apenas para a votação final.

Os dois ex-funcionários disseram que os ex-ministros Erenice Guerra (Casa Civil) e Silas Rondeau (Minas e Energia) frequentaram o escritório durante um certo período e se reuniram com José Ricardo da Silva, "mas depois sumiram".

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