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Você deveria prestar atenção no discurso de Demi Lovato sobre saúde mental

15/10/2015 12:09 -03 | Atualizado 27/01/2017 00:31 -02

Demi Lovato vem falando publicamente há anos sobre doenças mentais – e agora o resto do mundo está acompanhando

Muitas pessoas que sofrem de doenças mentais acham que têm de sofrer em silêncio por causa dos estereótipos negativos associados à sua condição. Demi Lovato está tentando mudar essa situação.

Ela é o rosto da campanha Be Vocal e incentiva todos a falar abertamente sobre doenças mentais.

demi lovato

Na semana passada, a cantora levou a campanha ao Congresso americano. Lovato instou os deputados e senadores a dar mais prioridade para a questão.

“Precisamos de um sistema de saúde melhor no que diz respeito à saúde mental. Precisamos de mais reformas. Isso é muito importante para que nossas comunidades e nosso país possam crescer e prosperar”, disse Lovato ao The Huffington Post.

“Essas questões geram muito sofrimento, e eu também passei por isso. Espero que meu envolvimento de alguma maneira ajude as pessoas que sofrem de doenças mentais.”

Lovato nunca escondeu sua jornada pessoal, falando abertamente sobre sua experiência de vício e transtorno bipolar, em entrevistas e nas mídias sociais.

Ela vem defendendo a causa das doenças mentais há mais de quatro anos, com a esperança de que suas palavras ecoem junto a quem se sente forçado a manter o problema em segredo.

Cerca de uma em cada quatro pessoas em todo o mundo terão problemas mentais em algum ponto de suas vidas, segundo a Organização Mundial de Saúde. Lovato diz que, se conseguir ajudar uma única pessoa, já terá valido a pena.

“Posso contar minha história várias vezes, mas isso às vezes pode ser meio negativo, e me lembro de como era difícil. Fazer coisas como [a campanha Be Vocal] me ajuda a fugir desses pensamentos. Ajudar os outros tem sido incrível.”

Lovato não é a única estrela de Hollywood que se manifestou sobre questões de saúde mental, mas certamente é uma das mais francas -- e tem uma das maiores audiências.

É incrível ver personalidades públicas cada vez mais usando seu status para gerar mudanças positivas – um movimento que esperamos que continue crescendo.

Considere por exemplo a atriz Mara Wilson, diagnosticada com transtorno obsessivo compulsivo quando era mais jovem. Este ano, Wilson se juntou ao Projeto UROK , uma organização que ajuda as pessoas a compartilhar suas experiências de doença mental.

“Sempre acreditei em fazer campanhas e falar sobre minha experiência com a doença mental”, disse Wilson ao HuffPost Live. “É extremamente importante acabar com o estigma. A saúde mental precisa ser levada tão a sério quanto a saúde física.”

Celebridades como Kerry Washington e John Greene também se abriram recentemente sobre suas experiências e sobre a importância de buscar ajuda.

É uma tendência encorajadora, pois as pesquisas indicam que muitas pessoas que têm problemas mentais não procuram ajuda por vergonha ou por medo de censura.

demi lovato

“Meu coração e meu cérebro são realmente importantes para mim”, disse Washington à revista Glamour. “Não sei por que não procuraria ajuda para que eles fossem tão saudáveis quanto meus dentes. Então por que não iria para a terapia?”

Quanto mais se discutir saúde mental no mainstream, diz Lovato, mais provável que o tema seja aceito.

“Acho que o tabu em torno das doenças mentais vai diminuir porque a conversa é cada vez mais frequente, até mesmo na mídia”, diz ela. “As pessoas estão começando a prestar atenção. É importante acabar com o estigma para que as pessoas possam falar francamente sobre o assunto. É assim que as coisas vão começar a mudar.”

“É extremamente importante acabar com o estigma. A saúde mental precisa ser levada tão a sério quanto a saúde física.” Mara Wilson

Mary Giliberti, diretora executiva da Aliança Nacional para Doenças Mentais, diz que eventos de conscientização como o Dia Mundial da Saúde Mental também são importantes para dar uma plataforma global para esse tipo de assunto.

“Se realmente quisermos mudar o estigma e a maneira como pessoas enxergam os outros, precisamos agir”, disse ela ao HuffPost. “Quando você pensa nos números e na quantidade de pessoas envolvidas com a questão, há uma disparidade enorme. Dias de conscientização são incrivelmente importantes.”

Infelizmente, falar publicamente de doenças mentais não é suficiente. A chave para lidar com qualquer doença mental é encontrar a ajuda certa, ressalta Giliberti. Assim como toda pessoa é única, as experiências de doença mental são variadas. Os especialistas afirmam que não existe um tratamento que se aplique a todos os casos, mas há maneiras de simplificar o processo.

“É importante se educar e se empoderar”, diz Giliberti. “Entender a questão e buscar ajuda profissional. Esse apoio é crítico e ajuda as pessoas a se dar conta de que não estão sozinhas.”

Lovato acha que falar sobre o que se passa em sua cabeça a ajuda a ter perspectiva. Mas descobrir o que funciona melhor para cada pessoa exige tempo e esforço.

“O que aprendi é que, quando vocalizo o que estou sentido, as emoções não conseguem me dominar completamente”, disse Lovato.

“Se sinto que vou me envolver em algum comportamento autodestrutivo – e infelizmente vou ter de lidar com isso para o resto da vida – converso com as pessoas. A coisa mais importante é se expressar.”

“A coisa mais importante é se expressar.” Demi Lovato

No fim das contas, a cantora quer que as pessoas entendam que é possível lidar com problemas mentais -- e ter uma vida produtiva apesar deles. A doença não é sua identidade.

“Dá para viver bem com uma doença mental. Pode demorar, mas vale a pena. Você merece uma vida feliz e saudável.”