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Aceitar, arquivar, adiar: Mesmo em queda livre, Eduardo Cunha segue dando as cartas para governo e oposição na Câmara

13/10/2015 09:25 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
FÁBIO MOTTA/ESTADÃO CONTEÚDO

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), deverá ser o centro das atenções mais uma vez ao longo de toda a semana. Se antes do feriado ele protagonizou uma série de denúncias sobre suas contas secretas na Suíça, agora o peemedebista é cortejado por governo e oposição sobre um único tema: o impeachment da presidente Dilma Rousseff. E o debate deve se arrastar nos próximos dias.

A trinca dos ‘três As’ – aceitar, arquivar, adiar – apresenta as opções que Cunha tem em suas mãos. Segundo reportagem do jornal O Estado de S. Paulo desta terça-feira (13), a divulgação do parecer do presidente da Câmara sobre o pedido de impeachment mais promissor, aquele apresentado pelos juristas Hélio Bicudo e Miguel Reale Júnior, pode ser adiada para o fim da semana ou até para a próxima.

A oposição quer que Cunha aguarde um aditamento ao requerimento para incluir as chamadas pedaladas fiscais cometidas neste ano, confirmadas em julgamento do Tribunal de Contas da União (TCU). Todavia, a própria bancada pró-impeachment tem pressa, justamente pelo desgaste que o presidente da Câmara vem enfrentando, com cada vez mais indícios sobre suas contas na Suíça e o seu envolvimento com o escândalo investigado pela Operação Lava Jato.

Se os opositores ao governo Dilma agora esperam que o peemedebista aceite o pedido de impeachment, a base governista definiu algumas estratégias durante o feriado, conforme informou o jornal Folha de S. Paulo. Enquanto tenta negociar com Cunha nos bastidores, se comprometendo a não criticá-lo publicamente e não fazer pressão pela sua saída – em troca, ele arquivaria ou pelo menos adiaria o seu parecer sobre o impeachment –, o governo também já definiu metas caso esse plano falhe.

De acordo com reportagem do jornal O Globo desta terça-feira, caso Cunha aceite o pedido de impeachment, os governistas não só entrarão com força total em um pedido de cassação como também acionarão a Advocacia-Geral da União (AGU) para que conteste o tema no Supremo Tribunal Federal (STF). Para os aliados da presidente, não há elementos que hoje balizem um processo de impeachment de Dilma.

Em comum, governo e oposição sabem que, no final das contas, a discussão tem uma forte possibilidade de acabar no plenário. Se Cunha arquivar todos os oito pedidos de impeachment pendentes – algo que poderia evitar um desgaste ainda maior para o peemedebista –, a oposição tende a recorrer, precisando de uma maioria simples no plenário (257 votos a favor) para derrubar o arquivamento.

“A ordem é uma só: derrotá-los no plenário”, decretou o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), quando questionado sobre qual é o plano do governo hoje. Incerto, porém, é saber o que Cunha planeja, em meio aos encontros que vêm tendo com líderes da oposição nos últimos dias. Assim, como de praxe nos últimos meses, o presidente da Câmara segue dando as cartas no Planalto.

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