COMPORTAMENTO

13 dicas para te ajudar a conversar com seu chefe em situações delicadas

09/10/2015 19:27 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
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Tenho duas chefes experientes e extremamente competentes. Ambas são profissionais excelentes.

Trabalhar para essa equipe tem muitos pontos positivos: todo mundo se apoia, se comunica maravilhosamente bem, é organizado, eficiente e atencioso. As duas mulheres são melhores amigas. Uma delas é casada com filhos. A outra? Está terrivelmente infeliz com o marido. Como sei disso?

Porque todos trabalhamos em na mesma sala. Eu e meus colegas escutamos todas as conversas delas. E elas não tentam manter segredo nem falar baixo.

As duas também são muito críticas em relação aos chefes delas: fazem piadas e comentários impróprios e revelam informações confidenciais uma para a outra na frente de toda a equipe.

É uma empresa pequena, sem departamento de recursos humanos. Se eu fizesse uma reclamação anônima, ficaria óbvio que ela teria partido de mim ou de algum dos meus colegas. Sei demais e ouvi coisas muito estranhas e engraçadas sobre o marido dessa mulher! Ela não para de reclamar dele.

Em relação às piadas com os chefes, gostaria de não ter ouvido algumas das mais sujas. Em geral, quando fica insuportável, saio da sala. Mas não posso fazer isso o tempo inteiro.

Preciso de tranquilidade para trabalhar. É difícil me dedicar para valer quando os chefes são tão pouco profissionais. O que devo fazer? Conversar com elas juntas ou uma de cada vez?

Falar diretamente com o chefe delas, os donos da empresa, dizendo que as fofocas estão atrapalhando a produtividade? Existe uma maneira profissional de abordar esse assunto?

-- Afogada em Barulho e Fofoca

Cara Afogada,

Parece uma situação nada agradável! Sinto que você esteja passando por isso. Eu mesma fico frustrada lembrando de uma situação parecida pela qual passei.

São duas as suas questões:

1. Parece que o comportamento das suas chefes está interferindo na sua produtividade, pois você precisa de silêncio para render. Silêncio é uma necessidade legítima.

2. Parece que você está se sentindo presa em um ambiente que soa ofensivo.

Os dois casos são delicados, pois estamos falando de suas chefes, e você trabalha diretamente com elas. Por outro lado, deixar essas questões de lado pode interferir com sua vida e sua carreira. São coisas importantes demais para ignorar.

Vamos pensar em algumas opções para resolver sua situação, para que você encontre o caminho que ofereça menos riscos.

Falar sobre uma situação delicada

Lidar com um assunto desse tipo requer sutileza da sua parte. Acho que você é capaz disso. Pela maneira como você descreveu suas chefes, sinto que você tem consideração pelos outros, então essa tendência natural vai te ajudar a lidar bem com essa situação.

Conversei sobre seu problema com uma amiga, (a também introvertida) Christine Dutton, da Dutton Consulting . Ela tem 20 anos de experiência em recursos humanos e hoje atua como consultora.

Elaboramos uma lista de dicas para facilitar sua vida na hora de abordar o assunto e aumentar as chances de que você consiga os resultados desejados.

1. Tenha em mente que todo chefe quer saber se sua produtividade está sendo afetada. Resolver esse problema é do interesse deles. Isso é um ponto a seu favor.

2. Comece falando com suas chefes. É sempre melhor falar diretamente com a pessoa envolvida no problema antes de procurar o superior dela.

3. Fale com uma de cada vez, uma conversa logo em seguida da outra.

4. Considere ter essa conversa no começo do dia, para que você não passe o dia inteiro preocupada, acumulando ansiedade.

5. Escreva de antemão o que você quer dizer. Pessoas introvertidas costumam achar essa técnica um recurso extremamente valioso.

6. O melhor é ser breve, concisa e positiva. Escolha bem os temas que vai abordar. Sempre vai haver fofoca no escritório. Suas preocupações com a confidencialidade e os comentários grosseiros são a prioridade. E deixe claro que você precisa de silêncio para render no trabalho.

7. É importante dizer com sinceridade que você respeita o trabalho e a competência delas. Comece e termine as conversas de forma positiva.

8. Reconheça que você vai tratar de algo difícil. Diga que você quer falar tudo antes que elas respondam. Assim, você pode se expressar no seu ritmo. E lembre-se de respirar!

9. Deixe-os saber o que você está desconfortável com, sem julgar ninguém. Expor os fatos, e se concentrar em seus sentimentos de desconforto.

10. Logo na sequência, tome notas sobre as duas conversas, incluindo o que você disse.

11. Saiba que não tem problema se as coisas não forem tão tranquilas ou se você tiver se esquecido de dizer alguma coisa. Você sempre pode ter outras conversas.

12. Se nada mudar, aí sim faz sentido passar por cima das duas e procurar o chefe delas.

13. Se você quer ficar longe das fofocas, talvez você tenha de procurar outro lugar para trabalhar. Mas dê uma chance.

E se for assédio?

O assédio se configura quando te sujeitam a conversas de natureza sexual. Se você pede para elas pararem, mas nada acontece, vira um caso para a Justiça.

Diz Christine Dutton:

“Em situações de assédios, é melhor tratar o comportamento como qualquer outro que você gostaria de mudar. Seja direta, comunique suas preocupações para a pessoa de maneira sincera e peça gentilmente que elas parem. Se as coisas mudarem, ótimo!

Mas, se o assédio continuar, vira uma questão jurídica. Isso se aplica nos casos em que conversas maliciosas ou sugestivas acontecem no ambiente de trabalho. Se as coisas não melhorarem, você pode passar por cima dos seus chefes.

Documente qualquer retaliação, pois elas são ilegais caso você tenha denunciado assédio sexual. A escolha é sua: você pode simplesmente conversar sobre o tema ou dizer que considera aquele tipo de comportamento “assédio sexual”.

Como lidei com uma situação parecida

A situação pela qual passei anos atrás não foi tão delicada, mas ainda assim era constrangedora. Ela se resolveu, de certa forma. Vou te contar para ver se ajuda.

Eu queria trabalhar em silêncio, mas a chefe do meu departamento queria que todos ouvissem rádio durante o expediente.

Toda vez que pedia para desligarem o rádio, sentia tensão no ar. No dia seguinte, o rádio estava ligado de novo. Era uma batalha diária.

Tentei engolir o sapo, mas estava ficando cada vez mais tensa. Na época, não entendia muito bem quão importante era ter um ambiente de trabalho silencioso, então não me sentia muito confiante.

No fim das contas, o assunto veio à tona durante uma reunião da equipe com os chefes. A responsável pelo meu departamento sugeriu várias maneiras para eu aceitar a música, mas nenhuma solução parecia razoável para mim.

Enfim, um dos chefes disse que a produtividade era mais importante que o rádio, e fim de conversa. Não caí nas graças dela, é claro, mas pelo menos pude trabalhar tranquila.

Sinceramente, no fim das contas fiquei feliz por sair daquele emprego para fazer o que faço agora. Aprendi lições importantes sobre minhas necessidades e como brigar por elas.

Espero que você também encontre uma solução. Você parece gostar das suas chefes. Te desejo tudo de bom.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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