COMPORTAMENTO

Cientistas da Universidade de Osaka estão perto de criar o anticoncepcional masculino

07/10/2015 20:20 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
BSIP via Getty Images
Model. (Photo By BSIP/UIG Via Getty Images)

Já faz tempo que os cientistas correm atrás da pílula anticoncepcional masculina. Não é para menos. Exceto pela camisinha, toda a responsabilidade pelos métodos contraceptivos costuma ficar nas costas das mulheres. Agora, pesquisadores japoneses chegaram bem mais perto de encontrar a fórmula da pílula, graças a uma ajudinha de camundongos de laboratório.

O pessoal da Universidade de Osaka descobriu que é possível bloquear uma proteína do esperma de ratos e deixá-los temporariamente inférteis. A proteína em questão se chama calcineurina, e foi bloqueada pela ação de dois inibidores químicos (a ciclosporina A e a tacrolimo, ou FK506). Os cientistas, liderados por Masahito Ikawa, deram doses dos inibidores para os ratinhos. Mais ou menos cinco dias depois, os camundongos copularam com fêmeas - e nenhuma delas ficou grávida. Depois de uma semana sem os inibidores da calcineurina no organismo, os camundongos voltaram a ficar férteis.

A parte mais animadora da pesquisa é que, como os camundongos, os humanos machos também têm essa proteína no esperma. Pelo que dizem os cientistas, tudo indica que os inibidores funcionarão do mesmo jeito com eles. Inclusive, os inibidores químicos usados no estudo são até bem fáceis de encontrar, porque fazem parte da composição de remédios próprios para humanos, como os que ajudam a evitar a rejeição no corpo que recebeu um órgão por transplante.

Mas, calma, não dá para correr para a farmácia para procurar ciclosporina ou tacrolimo. A pílula masculina propriamente dita ainda precisa ser desenvolvida com as dosagens certas e regulamentada - e pode levar anos para isso acontecer. O estudo publicado na Science também não leva em conta os possíveis riscos e efeitos colaterais do uso do remédio no organismo masculino. De toda forma, os japoneses estão otimistas. Vale a pena aguardar essa pequena revolução farmacêutica.

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