ENTRETENIMENTO
05/10/2015 12:25 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Por que corruptos do mundo todo abrem contas em bancos suíços?

eduardo cunha

Eduardo Cunha (PMDB), presidente da Câmara dos Deputados, recentemente foi acusado de ter conta na Suíça para receber propina

Porque os banqueiros suíços têm o direito, garantido por lei, de não revelar quem são seus clientes.

Os bancos são a grande fonte de riqueza do país – os outros clichês suíços (chocolates, queijos e relógios) têm participação bem menor na economia. As 369 instituições financeiras mantêm cerca de US$ 2,4 trilhões em seus cofres – 27% de todo o dinheiro depositado fora de seu país de origem.

Seu grande atrativo é um recurso chamado sigilo fiscal, que garante anonimato ao cliente e atrai milionários de basicamente todos os países.

Na primeira metade do século passado, muitos europeus, descontentes com a inflação de seus países, levaram seus montantes para os bancos suíços. O recurso do anonimato, no entanto, atraiu todo tipo de investidor – principalmente quem queria esconder dinheiro.

Foi durante a 2ª Guerra que ocorreu o ápice da lavagem de dinheiro por bancos suíços: entre 1940 e 1945, eles haviam transformado em francos suíços 75% do ouro saqueado por Hitler dos países ocupados. Ou seja: o ouro roubado foi vendido para o exterior. Então as libras, dólares e marcos alemães pagos pelo metal precioso passou a servir como uma espécie de lastro para a moeda suíça.

Nisso, o dinheiro estava lavado: o ouro nazista tinha se metamorfoseado num franco suíço mais forte, com maior valor diante do dólar, da libra, do marco alemão (que era o "dólar da europa" antes do euro).

Para evitar abusos, o Parlamento suíço aprovou em 1988 a lei de combate à lavagem de dinheiro, que obriga todos os bancos a alertar as autoridades caso haja suspeita de que o dinheiro depositado em alguma de suas contas tenha origem ilegal.

Mesmo assim, o país continua sendo visto como um porto seguro para montanhas de dinheiro vindas de fontes duvidosas, já que a Suíça ainda mantém um grau elevado de sigilo, e é um país bem mais estável que outros destinos com bancos "discretos", como as Bahamas e as Ilhas Cayman, no Caribe.

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