COMPORTAMENTO

Integrantes da banda Fly fazem comentários racistas na revista Atrevida; Karol Conká e personalidades reagem

05/10/2015 16:13 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

A revista Atrevida deste mês resolveu entrevistar a banda teen Fly BR e perguntar para os três integrantes Caique Gama, Nathan Barone e Paulo Castagnoli como uma menina deve ser em vários momentos (!). E algumas respostas chamaram MUITO a atenção.

O que eles pensam sobre meninas que usam tranças:

atrevida racismo


O que eles pensam sobre meninas que usam boné:

atrevida revista


"A menina tem que se portar como uma menina!":

atrevida racismo

As fotos acima começaram a circular nas redes sociais neste domingo (4) e não demorou muito tempo para as críticas e posicionamentos contra a revista e a banda surgirem.





A banda Fly é famosa entre o público adolescente e uma das suas músicas, “O Que Você Tem”, atualmente está na trilha da novela “Malhação”. Você pode ver um dos clipes da banda abaixo:

E as manifestações não pararam. Caíque, acusado de racismo, se manifestou em sua página do Facebook e no Instagram -- mas apagou a publicação depois de um tempo:

“[...] Quando dei minha opinião para a revista eu não me referia a nenhuma cor ou etnia, eu me referia a usar uma trança como salvação de um dia que o cabelo não está legal. pessoas entenderam e interpretaram aquilo muito, muito errado. peço desculpas pelo mal entendido.”

e continuou:

“[...] o preconceito está nos olhos de quem leu a matéria e ligou a opinião a uma etnia, uma cor. racista é quem vem nas minhas fotos me chamando de branquejo, azedo, você não conhece minha raiz, você não conhece minha família”.

E não pegou nada bem, de novo.

Tanto, que a rapper Karol Conká se manifestou em um post em seu Facebook, reforçando a ideia de que, independente do que uma banda adolescente diz, todas as meninas podem usar o que quiserem, como quiserem. E ainda fez um trocadilho com uma música deles:

NOSSO CABELO CRESPO É LINDO! <3Ninguém diz como nós, mulheres, devemos nos comportar! Menina se comporta como ela quiser!

Posted by Karol Conka on Segunda, 5 de outubro de 2015


Segundo a pesquisadora e feminista Djamila Ribeiro, em texto para a Carta Capital, sobre o caso: "cada mulher deve se sentir bem com seu corpo, mas é praticamente impossível quando se é ensinada a se odiar e a seguir um padrão inatingível do que é belo, sobretudo para a mulher negra".

E, ao final do texto, completa:

"Com isso, aprendemos que dentro da lógica absurda da revista, só podemos ser atrevidas se for para agradar homem. Mas vejam bem, para isso deve-se ser branca e não ter “cabelo ruim”. Caso contrário, o FLyBr ri de você."

Esta não é a primeira vez que a revista Atrevida faz algo que tem conotação machista e coloca as meninas em função dos meninos em uma determinada pauta ou situação. Em abril deste ano a publicação adolescente resolveu fazer uma matéria sobre as maquiagens "que os meninos não gostam que as meninas usem".

atrevista machismo

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