NOTÍCIAS

Declaração sobre 'mudança histórica' motivou governo a pedir troca de Nardes

05/10/2015 18:35 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
Montagem/Estadão Conteúdo

A afirmação do ministro do Tribunal de Contas da União, Augusto Nardes, relator das contas do governo, de que o julgamento seria um "momento histórico" motivou o governo a pedir que ele fosse afastado do processo.

O pedido foi entregue, em mãos, ao presidente do TCU, ministro Aroldo Cedraz, na noite desta segunda-feira (5).

Segundo o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o Executivo já vinha fazendo um monitoramento das declarações do ministro e na última semana ficou insustentável.

"Ele chegou a falar que seria responsável por um momento histórico, que seria a rejeição das contas, em que pese situações idênticas ocorridas em outros governos. Situações dessa natureza, em um Estado democrático de direito não podem ser aceitas. A lei prevê claramente a aguição de supensão. O que está se fazendo é uma situação normal."

Cardozo afirmou ainda que não há afronta nenhuma no pedido de suspeição. "Exercer um direito é uma violência? (...) Quem critica isso é de uma raiz ditatorial forte. Quem pensa assim é contra a democracia."

Para o ministro, o governo quer apenas que a lei seja comprida. "Não há problema em se pedir que se cumpra a lei. O magistrado deve falar nos autos e, lamentavelmente, o relator há tempos já diz que vai rejeitar as contas"

Ele também negou que o pedido seja uma manobra para adiar o julgamento. "Não é uma questão de se ganhar tempo, mas uma questão de se obedecer a lei. Qualquer magistrado ou pessoa que age como magistrado tem que atuar de acordo com a lei e qualquer julgamento deve seguir o procedimento legal.”

Em nota, Nardes disse que o governo está tentando intimidá-lo e ao tribunal. "Realizamos um trabalho técnico de forma eficiente e coletiva na análise de contas”, disse.

Na tarde desta segunda-feira (5), Cedraz disse à Folha de S.Paulo que vê poucas chances do julgamento ser adiado. A resposta do pedido de suspeição pode sair até quarta-feira (7), quando o julgamento está previsto para ocorrer.

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS: