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Comitiva com líder da Igreja Universal tentou colocar Eduardo Cunha na Petrobras em 1996, revela FHC

05/10/2015 12:56 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
Montagem/Estadão Conteúdo

O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), poderia ter sido diretor comercial da Petrobras - estatal alvo da Operação Lava Jato - nos anos 90. É o que revela o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) no primeiro volume dos Diários da Presidência, publicação que repassa as gravações feitas pelo tucano entre 1995 e 2002, quando dirigiu o Brasil, cujos trechos foram adiantados pela revista piauí.

FHC retrata o encontro do dia 23 de março de 1996 como uma recepção a deputados do Rio de Janeiro, em uma comitiva formada pelos deputados federal Francisco Dornelles (então do PPB, atual PP), Odenir Laprovita Vieira (pastor ligado à Igreja Universal) e “mais dois que não sei quem são”, gravou o ex-presidente, em trecho transcrito pela antropóloga Danielle Ardaillon, curadora do acervo do Instituto Fernando Henrique Cardoso.

“Na verdade o que eles querem é nomear o Eduardo Cunha diretor comercial da Petrobras! Imagina! O Eduardo Cunha foi presidente da Telerj, nós o tiramos de lá no tempo de Itamar porque ele tinha trapalhadas, ele veio da época do Collor. Eu fiz sentir que conhecia a pessoa e que sabia que havia resistência, que eles estavam atribuindo ao Eduardo Jorge; eu disse que não era ele e que há, sim, problemas com esse nome. Enfim, não cedemos à nomeação”.

O primeiro volume dos Diários da Presidência será lançado neste mês via Companhia das Letras e será o primeiro de um total de 4 mil páginas transcritas das gravações feitas por FHC enquanto ocupou o Palácio do Planalto. Outros três volumes devem ser publicados pela mesma editora até 2017, segundo informações da piauí.

Em outros trechos publicados pela revista, FHC fala na sua vontade (não concretizada) de realizar uma reforma política no País em 1997 – com direito a um debate sobre o Parlamentarismo – e as negociações por cargos e indicações enfrentadas pelo ex-presidente, situação não muito distante da vivida por Dilma Rousseff (PT) em sua mais recente reforma ministerial.

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