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Sob críticas, reforma administrativa dá sobrevida ao governo Dilma

03/10/2015 09:27 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
ED FERREIRA/BRAZIL PHOTO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

A reforma administrativa, com corte de 8 ministérios, de três mil cargos comissionados e de 10% nos salários dos ministros e da presidente deu uma sobrevida ao governo Dilma Rousseff. Integrantes do PT e de grande parte da base aliada afinaram o discurso em prol do governo. O esforço da presidente para acomodar aliados, porém, deu mais combustível para a oposição e independentes reclamarem do governo.

Uma das principais queixas, até mesmo de integrantes do PMDB, é que o corte de ministérios não veio acompanhado de um plano de redução de gastos. Para o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a reforma é pífia. "Eu acho que o governo deu um primeiro sinal de mostra de economia. Ainda pífio. Insuficiente do tamanho do rombo das contas públicas.”

Para ele, a decisão de cortar 3 mil cargos comissionados e reduzir em 10% os salários de ministros e da presidente é "simbólica". "Não tem efeito econômico. O conjunto é tentar mostrar que vai reduzir custo e tentar mostrar uma consolidação da base. Para efeito da sua base aqui eu não vi grande mudança.”

Há ainda a reclamação de que os cargos a serem cortados não estão evidentes, pois não houve um plano de corte de gastos e, sim, uma fusão de ministérios.

Insatisfeitos com a política do troca-troca, uma parcela do PMDB - o maior beneficiado com a reforma - , marcou posição contra a decisão da presidente. “Essas lideranças dizem não à barganha política, querem política de ética e de respeito”, defendeu o deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS), na sua página no Facebook.

Para o senador Aécio Neves (PSDB-MG), a reforma “apequenou” o governo Dilma. "Não em sua estrutura, porque os cortes são pouco expressivos frente ao aumento excessivo de gastos do governo nos últimos anos. Se assemelha na verdade a uma maquiagem."

A chamada reforma administrativa anunciada hoje apequena ainda mais o governo Dilma. Não em sua estrutura, porque os...

Posted by Aécio Neves on Sexta, 2 de outubro de 2015


Entre os aliados, porém, o discurso é outro. Mesmo o PT, que saiu enfraquecido da reforma, escutou os conselhos do ex-presidente Lula, que recomendou a distribuição de pastas, e unificou o discurso. Para o líder do partido no Senado, Humberto Costa (PE), a decisão da presidente foi certeira.

“Ela alterou a estrutura e a equipe para que a gente possa fazer mais gols em favor do Brasil. O ministério é meio como time de futebol: se está ganhando, a gente não mexe. Mas, se não joga bem, a gente tem que fazer algumas mudanças.”

Líder do governo na Câmara, o deputado José Guimarães (PT-CE), considerou o anúncio da reforma um novo começo, “com muito brilho e muita disposição para consolidar a governabilidade. Não tenho dúvida que ela fez o melhor para o País”. Para ele, houve um duríssimo corte de gastos e o primeiro passo para a recomposição da base foi dado.

Os fiéis do PMDB também fizeram um discurso de satisfação. Líder do partido na Câmara, Leonardo Picciani (RJ) concordou que a reforma deu um passo para melhor governabilidade.

“O partido sai extremamente contemplado dessa reforma e com a grande responsabilidade, mantida ao longo da história do país, de ser ponto de equilíbrio da governabilidade.”

(Com Estadão Conteúdo)

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