NOTÍCIAS
02/10/2015 14:52 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02

Quem é a ministra que comandará o superministério dos Direitos Humanos?

Marcelo Camargo/Agência Brasil

A presidente Dilma Rousseff anunciou nesta sexta-feira (2) a fusão das secretarias de Igualdade Racial, de Política para as Mulheres e de Direitos Humanos em um super ministério. No comando desta nova pasta ficará a então ministra da Igualdade Racial, Nilma Lino Gomes.

Sem partido e considerada um nome de peso entre os acadêmicos, Nilma é doutora em antropologia social pela Universidade de São Paulo e foi a primeira mulher negra a comandar uma universidade no Brasil, a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira.

Em seus trabalhos acadêmicos, ela tem como foco a identidade negra e as relações ético-raciais nas ações afirmativas. Ao assumir a Seppir, Nilma fez um discurso incisivo sobre o cenário atual:

"Já nascemos e vivemos em uma sociedade com mentalidade colonial, marcada por desigualdades sociais, raciais, de gênero e orientação sexual, em demasia. Já tivemos situações de subordinação e hierarquias. Por isso, não podemos repetir comportamentos autoritários e neocoloniais na relação entre a SEPPIR/PR e o Movimento Negro, e o Movimento Negro e a SEPPIR/PR.”

Em entrevista ao jornal O Povo, em maio de 2013, Nilma lamentou que ainda há racismo na sociedade brasileira.

“Vivemos o que toda literatura que trabalha com o tema aponta: um discurso de que todos nós somos muito democráticos. De que temos a democracia racial no Brasil. E esse tipo de discurso, essa representação mítica traz uma negação das reais condições da população negra na sociedade brasileira. (…) Por isso, falo do papel de reeducar a si mesmo, reeducar a sociedade.”

Há, segundo ela, racismo entre a própria população negra:

“O racismo é um fenômeno que prejudica todos nós: negros, brancos, indígenas. E para compreender como uma pessoa que é negra pode desenvolver um preconceito contra si mesmo e contra o seu grupo, é o maior exemplo da perversidade do racismo.”

O nome de Nilma agrada a militância petista e é uma sinalização aos movimentos sociais de que as bandeiras do Partido dos Trabalhadores serão mantidas. Inicialmente, a presidente trabalhava com a hipótese de nomear Miguel Rossetto, que estava na Secretaria-Geral da Presidência, para a pasta. Rossetto, porém, foi indicado para comandar a nova configuração do Ministério do Trabalho.

SIGA NOSSAS REDES SOCIAIS: