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Coca-Cola e McDonald's, principais patrocinadores, pedem saída 'imediata' de presidente da Fifa

02/10/2015 17:49 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:52 -02
FABRICE COFFRINI via Getty Images
FIFA president Sepp Blatter looks on as fake dollar notes fly around him, thrown by a British comedian during a press conference at the FIFA world-body headquarter's on July 20, 2015 in Zurich. The 79-year-old Swiss official looked shaken as the notes thrown by Simon Brodkin, stagename Lee Nelson, fluttered around him in a conference hall at the FIFA headquarters. Brodkin was taken away in a Swiss police car after the stunt. AFP PHOTO / FABRICE COFFRINI (Photo credit should read FABRICE COFFRINI/AFP/Getty Images)

Os maiores patrocinador da Fifa, a Coca-Cola e o McDonald's, exigem que Joseph Blatter deixe a presidência da entidade "imediatamente".

Em uma declaração emitida nesta sexta-feira, as empresas que patrocinam a Copa do Mundo deixaram claro que estão retirando o apoio ao dirigente, que já é investigado criminalmente. Sem o consentimento das multinacionais, sua posição é de total fragilidade e não se descarta uma renúncia no fim de semana.

"Blatter deve renunciar imediatamente para que um processo sustentável de reforma seja realizado", pediu a Coca. "Acreditamos que seria de melhor interesse do jogo que Blatter deixe o cargo imediatamente para que um processo de reforma possa ocorrer com a credibilidade que se necessita", defendeu o McDonald's.

Juntas, as duas empresas representam quase metade de toda a renda anual que a Fifa obtém de patrocinadores. "A cada dia que passa, a imagem e reputação da Fifa continua a ser afetada", disse a Coca-Cola. "A Fifa precisa de uma reforma urgente e total e que apenas poderá ser realizada de uma forma verdadeiramente independente."

Para a Coca-Cola, a Fifa precisa criar uma comissão independente que possa realizar a mudança e reconquistar a confiança do mundo do esporte.

Com um presidente sob investigação criminal, com o secretário-geral, Jérôme Valcke, afastado, com um novo escândalo envolvendo o favorito para as eleições de fevereiro, Michel Platini, a Fifa hoje não tem um governo.

Em menos de seis meses, a entidade deixou de fechar contratos de patrocínio avaliados em mais de US$ 200 milhões para a Copa de 2018, enquanto outras marcas abandonam o barco.

Uma das principais parceiras de Joseph Blatter durante os últimos 30 anos - a Adidas - também admite que chegou o momento de a Fifa passar por uma "limpeza". A multinacional alemã foi uma das primeiras patrocinadoras da entidade e, em acordos com João Havelange, fechou um dos contratos mais lucrativos da história do futebol.

Agora, porém, a empresa insiste que a Fifa terá de mudar. Em entrevista ao Estado de S. Paulo e outro meio de comunicação brasileiro, um dos principais executivos da Adidas, Roland Auschel, deixou claro que a multinacional vai exigir reformas. Mas ele também deu sinais de que não está disposto a abandonar a Fifa e o que ela representa como vendas para a Adidas.

"Deixamos claro que acreditamos que os mesmos princÍpios que temos de usar para as multinacionais tem de ser usado por nossos parceiros", disse o executivo, responsável pelas vendas globais da empresa. "Todos temos de operar com padrões e isso precisa ser adotado por todos. Estamos incentivando a Fifa a continuar seu processo de limpeza e suas investigações", disse.

Para o executivo, porém, essa "limpeza" já começou. "Não nos cabe dizer se é suficiente ou não o que vem sendo feito e nem dar a receita do que a Fifa deve fazer. Mas todos precisam seguir o mesmo princípio, que é o da transparência. Vivemos em um mundo conectado e valores têm papel central em entidades como a nossa ou na Fifa", disse Auschel.

Em julho, empresas como a Adidas, Coca-Cola e outras patrocinadores se reuniram com a Fifa. "Nossos pontos de vista têm sido ouvidos. A Fifa agora precisa passar por um processo (de reforma)", disse o alemão.

Por enquanto, o executivo diz "não saber" até que ponto a crise na Fifa afetou suas vendas. Mas ele dá sinais de que não existe um plano de romper com a entidade. "Precisamos estar desenvolvendo o futebol globalmente e a Fifa é o órgão que governa", explicou Auschel.

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